Fórum da rede ex aequo

Outras Conversas => Artes & Letras => Tópico iniciado por: Magia em 23.abr.2003, 12:45:58

Título: Citações de livros
Enviado por: Magia em 23.abr.2003, 12:45:58
Ok, o assunto é o seguinte, sp k possa venho cá e passo um "episódio" desse tal livro k vos falei, ok? :)



um

momentos de calma em dias agitados



tempo para comtemplar

na verdade, ninguém vê uma flor - é tão pequena - nós não temos tempo, e a contemplação requer muito tempo.... Georgia O'keeffe

"vivemos dias de fome de tempo", afirma odette pollar na sua coluna de jornal, onde procura ajudar as pessoas a trabalhar de forma mais inteligente. (...)
Gosto da expressao "fome de tempo", e inanição é certamente uma analogia adequada à nossa situação actual. muitos de nós temos fome de tempo e ansiamos desesperadamente por sermos alimentados. Temos fome desses momentos a sós em que podiamos simplesmente passear, arrumar gavetas ou reler cartas antigas, sem qualquer pressão ou sentimento de culpa.
A nossa fome priva-nos da nutrição que esses intervalos nos costumavam proporcionar: a sensação de estarmos concentrados nas nossas vidas, a consciencia das nossas proprias necessidades espirituais e das das nossas familias, a confianla do auto-conhecimento.
Numa situaçao de fome - pelo menos na melhor das hipoteses -, aqueles que têm meios, os ricos, ajudam os que nada possuem, os pobres. E, assim, colocava-se a seguinte questão: Onde se posiciona você quanto à questão de fome de tempo, no grupo dos que têm ou no dos que não têm?


para os que não têm: hoje, pare e contemple realmente uma flor (ou uma tela floral de o'keeffe).
para os k têm: ajude outra pessoa a faze-lo!

............................................................david kundtz
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: nicsparks em 23.abr.2003, 21:00:16
Lindo!! :D

:up :-*
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: cacao em 23.abr.2003, 21:59:13
:D :D :up ;)
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Magia em 29.abr.2003, 18:15:24
vou ver se no fds passo mais algumas ta? hj era um bom dia, vou ka fikar ate d noite, mas n tenho o livrito aki kmg.. :(
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: d3LuX em 29.abr.2003, 18:17:58
Mto giro! ;)

Esta mexeu comigo.
Tens de trazer outras ideias deste género, eu sou daqueles que, depois de não ter tido tempo agora... Tenho tempo para tudo e o que é certo... é que nada faço, mas porquê? Porque o tempo não me chega para nada fazer.
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Magia em 29.abr.2003, 18:27:38
mas por vezes ha k aproveitar e nao fazer nada.. mas faze-lo bem! :) este livro mostra km fazer ixu!
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Magia em 05.mai.2003, 19:26:14
“Corrida de Ratos”




O problema da corrida de ratos é que, mesmo que você ganhe, continua a ser um rato!

Lily Tomlin



A metáfora da corrida de ratos como forma de abordar a natureza da vida actual é o bastante instrutiva. Pergunto a mim mesmo qual será a sua origem. E, na verdade, o que é uma corrida de ratos? Imagino um labirinto num laboratório científico com uma dúzia de roedores trepando em todas as direcções, na tentativa de encontrar – muito frustrados – o seu caminho para a liberdade. É isso que é uma corrida de ratos? Alguém informou os ratos que se encontravam numa corrida? Existirá realmente um vencedor numa corrida de ratos?
E o facto de escolhermos esta metáfora para nos referirmos à forma como vivemos as nossas vidas é... o quê? Alarmante? “Bom, temos de ir andando e entrar na corrida de ratos.” E teremos mesmo?
As metáforas que utilizamos não só reflectem a forma como vivemos com também geram o nosso modo de vida. Se designarmos a vida por “corrida de ratos” (mice-run), é realmente nisso que ela se transformará!
Por isso, mudemos as metáforas. Eis algumas sugestões:
. A vida é o rondar de um gato. Imagino passos lentos e cuidadosos, a percepção calma de tudo o que se passa em meu redor e um ritmo que satisfaz as minhas necessidades.

. A vida é o passeio de um cão. Desloco-me agora com um interesse vivo, com paragens e avanços, encontros com outros cães, árvores e pessoas, sempre pronto a responder a uma manifestação de amizade.

. A vida é um fox-trot. Esta é uma forma de dançar através da vida girando e pulando. Encontre um parceiro! Poderá sempre sentar-se para descansar e saltar a melodia seguinte!

. A vida é o caminhar de um macaco.
. A vida é o galope de um cavalo.
. A vida é um salto de baleia.
. A vida é o voo de uma andorinha.
. A vida é o andar de um porco.
. A vida é o trote de um elefante.
. A vida é a deambulação de um urso (pessoalmente prefiro esta).

Hoje, encontre um momento de tranquilidade e escolha a sua metáfora para a viagem da vida.”

David Kundtz

A minha: A vida é o percurso de um rio desde a nascente até ao mar... Uma pessoa nasce, vai conhecendo outras ondas e conquistando amizades eternas até ao momento em que deixa de ser um só rio e se integra por completo no universo e se torna UM com o mar! (Eloísa)
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: bluejazz em 09.mai.2003, 18:39:09
Vou colocar qualquer coisita que li hoje...


Não perca a sua serenidade.

A raiva faz mal à saúde, o rancor estraga o fígado, a mágoa envenena o coração.

Domine as suas reacções emotivas.

Seja dono de si mesmo.

Não jogue lenha no fogo do seu aborrecimento.

Esqueça e passe adiante, para não perder a sua serenidade.

Não perca a sua calma.

Pense, antes de falar, e não ceda à sua impulsividade.

in "Minutos de Sabedoria" de C. Torres Pastorino
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Magia em 10.mai.2003, 11:01:26
essa ultima entao.. de pensar antes de falar.. heeheh

boonzaii, era mm pa mim!!  :´
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: bluejazz em 10.mai.2003, 14:45:24
lol

A "Esqueça e passe adiante, para não perder a sua serenidade." é boa para mim! ;D
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Magia em 10.mai.2003, 15:55:56
Seja dono de si mesmo!...


humm... axo ké a mais forte mesmo.. pk engloba todas as outras!

hehe

benhe.. ta na hora de publikar mais serenidade tds os dias paki neh? vou ver se hj em casa passo po pc e dp ponho aki na 2º.. ;)


beijinhos... ciao
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: VirginiaWoolf em 10.mai.2003, 17:20:14
2 locais onde se pode passar uns dias serenos com várias actividades relaxantes e introspectivas  ;) :

http://www.montemariposa.pt/

http://www.quintadacalma.com/
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Magia em 12.mai.2003, 19:32:39
SOAR BEM

As pausas soa sempre bem.
Arnold Schoenberg


As pausas, no meu entender, são aqueles momentos de uma melodia em que se dá uma passagem de tempo sem qualquer som. Não existe nada. Por isso, Schoenberg, o compositor, afirma que “nada” soa sempre bem.
Hmm. Parece uma brincadeira ou uma charada. O que está errado nesta declaração? Os budistas poderão declarar que as palavras de Schoenberg são um koan *, uma charada paradoxal sem respostas, utilizada apenas para fins didácticos ou de discussão.
E qual a conclusão que dela podemos tirar?
O que confere vida à música é o sentimento que irrompe durante essas pausas, no decurso desses segundos incrivelmente breve em que ainda soam os ecos finais da vibração de uma nota, e até se iniciar o movimento da nota seguinte. Num abrir e fechar de olhos, desliza nesse espaço de tempo, e enche a música de alma e vida. Primeiro é sentido e seguidamente expresso pelo compositor. Volta então a renascer com uma sensação de familiaridade, mas também graças á contribuição, até certo ponto nova e única, de cada executante.
O sentimento vive nos silêncios. E não apenas nos de contexto musical, mas também durante a condução de um autocarro, ao ensinar num jardim-escola, ao efectuar a lida da casa, na gestão, na venda de publicidade, enquanto prepara o jantar, quando vai buscar as crianças à escola, quando telefona aos seus clientes, quando dirige relatórios, e assim sucessivamente. O sentimento reside naquilo que levar a esses silêncios. E esses silêncios soam sempre muito bem!
Os momentos de calma – silêncios – do seu dia fazem com que todo o seu dia passe a soar bem!


*koan: termo do budismo zen que designa um problema que não admite qualquer solução lógica.



Hoje, ao longo do ritmo do seu dia, observe os silêncios que este contém.
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Magia em 19.mai.2003, 18:32:33
mais uma:

Breves Momentos de Atenção

A vida moderna condiciona-nos a aflorar a superfície da experiência, e depois a passar rapidamente para uma coisa nova.
Dr. Stephan Rechschaffn


Muitos de nós passamos os dias a contemplar a Montanha do Demasiado. E, como a maioria tem um excesso de tudo nas suas próprias vidas, facilmente ficariamos sobrecarregados.
Uma das consequências da Montanha do Demasiado é que os momentos de atenção se tornam cada vez mais curtos, simplesmente porque cada vez existe menos tempo e temos de avançar rapidamente, para não corrermos o risco de sermos deixados para trás. E a nossa cultura adapta-se a esse ritmo!
(...)
O desafio é o equilíbrio. A nossa capacidade de prestar atenção resumir-se-á a alguns breves momentos? Ou teremos ainda de recorrer à aptidão, tantas vezes necessária, de nos concentrarmos durante longos espaços de tempo, com a consequente atenção que isso requer? Conseguiremos manter-nos num processo bom ainda que este seja longo, antiquado ou fora de moda? Ou seremos compelidos a “aflorar a superfície da experiência, e depois a passar rapidamente para uma coisa nova” só porque é nova? Porque, se apenas aflorarmos a superfície da vida tornar-nos-emos indiscutivelmente superficiais.
O tempo passado sem fazer nada é um antídoto da superficialidade. Estimula e desenvolve a aptidão de nos concentrarmos e passarmos a prestar atenção quer aos espaços curtos, quer aos longos, ajudando-nos simultaneamente a ir mais além da superfície, e não simplesmente a aflorá-la.
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Magia em 03.jul.2003, 12:54:14
sorry o desaparecimento ppl.. vou ver se passo mais em breve..
Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: Emanem em 16.jul.2003, 17:28:42



Parabéns por este tópico Magia!  :up  ;) Serenidade é o que eu mais queria na minha vida... De vez em quando passo aqui, para ler os textos.


:-*

Título: Re: serenidade todos os dias
Enviado por: SafeLight em 13.jan.2006, 22:09:24
Vou colocar qualquer coisita que li hoje...
Não perca a sua serenidade.
A raiva faz mal à saúde, o rancor estraga o fígado, a mágoa envenena o coração.
Domine as suas reacções emotivas.
Seja dono de si mesmo.
Não jogue lenha no fogo do seu aborrecimento.
Esqueça e passe adiante, para não perder a sua serenidade.
Não perca a sua calma.
Pense, antes de falar, e não ceda à sua impulsividade.
in "Minutos de Sabedoria" de C. Torres Pastorino

e melhor, só mesmo ao som de "moon river", como eu tou agora;)

k topico velhinho...
Título: Re: Serenidade todos os dias
Enviado por: southboy em 17.jan.2006, 02:09:22
É bom quando passamos por aqui e acabamos por ficar mais calmos.  :)
Título: Re: Serenidade todos os dias
Enviado por: SafeLight em 17.jan.2006, 02:29:53
É bom quando passamos por aqui e acabamos por ficar mais calmos.  :)

K BOM, SOUTHBOY!

 :up :up :up :up :up :up :up
Título: Re: Serenidade todos os dias
Enviado por: southboy em 17.jan.2006, 02:30:20
É bom quando passamos por aqui e acabamos por ficar mais calmos.  :)

K BOM, SOUTHBOY!

 :up :up :up :up :up :up :up

 ;) ;) ;) ;)
Título: Re: Serenidade todos os dias
Enviado por: Thumbnail em 15.jun.2007, 10:54:53
Serenidade é paz e paz é harmonia em nós mesmos. Sejamos fieis a nós próprios e saibamos os nossos limites nesse paralelo que é o qui pro quo dos outros. Assim, seremos o limite do equillibrium.
Título: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Mitzrael em 20.jun.2011, 17:38:45
"Um livro é uma janela pela qual nos evadimos" (Julian Green)

Criei este tópico para termos um "espaço" onde as recordações das "viagens" podem ser partilhadas!
Um "espaço" onde seja possível transcrever algo que nos tenha tocado ou ficado na memória depois de ler um livro...

Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 28.jun.2011, 19:48:36
"Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo.
Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente."

Milan Kundera, in "A Imortalidade
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 29.jun.2011, 02:44:23
Gosto deste tópico!
"Nem sempre se pode ter tudo, quantas vezes pedindo isto se alcança aquilo, que esse é o mistério das orações, lançamo-las ao ar com uma intenção que é nossa, mas elas escolhem o seu próprio caminho, às vezes atrasam-se para deixar passar outras que tinham partido depois, e não é raro que algumas se acasalem, assim nascendo orações arraçadas ou mestiças, que não são nem o pai nem a mãe que tiveram (...)" In Memorial do Convento de José Saramago
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 29.jun.2011, 17:21:08
"O medo não é sinal de cobardia. É ele que nos dá a possibilidade de agir com bravura e dignidade perante as situações da vida. Quem sente medo - e apesar disso segue em diante, sem se deixar intimidar - está a dar uma prova de valentia.
Quem, no entanto, enfrenta situações arriscadas sem se dar conta do perigo, demonstra apenas irresponsabilidade".

Paulo Coelho in Maktub
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 04.jul.2011, 17:48:43
"Era um homem amável e delicado, ansioso por agradar e ser aceito, por isso tinha imaginado todas as formas possíveis de fazer amor sem usar os lábios. Transformara as mãos e todo o resto de seu corpo pesado em um instrumento muito sensível, capaz de aconchegar uma mulher bem disposta, até culminá-la de felicidade. Esse encontro foi tão definitivo para nós dois, que poderia ter sido uma cerimônia solene, mas em troca, foi alegre e risonha. Penetramos juntos em um espaço próprio, onde inexistia o tempo natural, e durante aquelas horas magníficas, pudemos viver em absoluta intimidade, sem pensar em outra coisa além de nós mesmos, dois companheiros impudicos e brincalhões, dando e recebendo."
In Eva Luna, Isabel Allende
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 04.jul.2011, 21:06:53
"Dizia ela: - Nunca mais tirarei os olhos de ti. Vou olhar para ti ininterruptamente.
E, depois de uma pausa: - Tenho medo quando o meu olho pisca. Medo de que, durante esse segundo em que o meu olhar se apaga, se introduza no teu lugar uma serpente, uma ratazana, outro homem.
Ele tentava erguer-se um pouco para lhe tocar com os lábios.
Ela abanava a cabeça: - Não, só quero olhar para ti.
E depois: - Vou deixar o candeeiro aceso toda a noite. Todas as noites."

Milan Kundera in Identidade
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 05.jul.2011, 21:24:44
"Sometimes fate is like a small sandstorm that keeps changing directions. You change direction but the sandstorm chases you. You turn again, but the storm adjusts. Over and over you play this out, like some ominous dance with death just before dawn. Why? Because this storm isn't something that blew in from far away, something that has nothing to do with you. This storm is you. Something inside of you. So all you can do is give in to it, step right inside the storm, closing your eyes and plugging up your ears so the sand doesn't get in, and walk through it, step by step. There's no sun there, no moon, no direction, no sense of time. Just fine white sand swirling up into the sky like pulverized bones. That's the kind of sandstorm you need to imagine.

An you really will have to make it through that violent, metaphysical, symbolic storm. No matter how metaphysical or symbolic it might be, make no mistake about it: it will cut through flesh like a thousand razor blades. People will bleed there, and you will bleed too. Hot, red blood. You'll catch that blood in your hands, your own blood and the blood of others.

And once the storm is over you won't remember how you made it through, how you managed to survive. You won't even be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won't be the same person who walked in. That's what this storm's all about."
In Kafka à Beira-Mar de Haruki Murakami

(sorry, só encontrei esta parte em inglês e não em português mas é especial para mim ^^)
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 06.jul.2011, 18:06:56
"Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama plenamente. E quem ama plenamente, sente-se livre. (...) Essa é a verdadeira experiência de liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem a possuir."

"Pensei muito e descobri que não entrei naquele café por acaso; os encontros mais importantes já foram combinadas pelas almas antes mesmo de os corpos se verem. Geralmente, esses encontros acontecem quando chegamos a um limite, quando precisamos de morrer e de renascer emocionalmente. (...) Todos sabem amar, pois já nasceram com esse dom. Algumas pessoas já o fazem naturalmente bem, mas a maioria tem de reaprender, relembrar como se ama, e todos - sem excepção - precisam de arder na fogueira das suas emoções passadas, reviver algumas alegrias e dores, quedas e subidas, até conseguirem ver o fio condutor que existe para trás de cada novo encontro; sim, existe um fio ali."

"Em todas as línguas do mundo existe um mesmo ditado: o que os olhos não vêem, o coração não sente. Pois eu afirmo que não há nada de mais falso do que isso; quanto mais longe, mais perto do coração estão os sentimentos que procuramos sufocar e esquecer. Se estamos no exílio, queremos guardar cada pequena lembrança das nossas raízes, se estamos distantes da pessoa amada, cada pessoa que passa na rua nos faz lembrar dela."

Paulo Coelho in Onze Minutos
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 08.jul.2011, 01:21:59
"Happiness can be found, even in the darkest of times, if one only remembers to turn on the light."

J.K. Rowling in Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004, spoken by the character Albus Dumbledore.

(como hoje estreiou a ultima parte do Harry Potter em Londres e eu sou uma grande fã que já devorou os livros todos  [smiley=orgulhoso.gif] lol)
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 14.jul.2011, 00:18:16
"A única maneira de libertar-se de uma tentação é entregar-se a ela. Resista, e a sua alma adoecerá de desejo das coisas que ela a si mesma se proibiu, com o desejo daquilo que as suas leis monstruosas tornaram monstruoso e ilícito".

Oscar Wilde in Retrato de Dorian Gray
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 14.jul.2011, 01:07:44
"Thing to remember is, if we´re all alone, then we´re all together in that too" -Patricia

Esta frase é do livro que depois foi um sucesso em filme, o "P.S. I love you". Nunca vi o filme. Só li o livro e chorei imenso xD
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Spring em 14.jul.2011, 21:00:14
"O medo não é sinal de cobardia. É ele que nos dá a possibilidade de agir com bravura e dignidade perante as situações da vida. Quem sente medo - e apesar disso segue em diante, sem se deixar intimidar - está a dar uma prova de valentia.
Quem, no entanto, enfrenta situações arriscadas sem se dar conta do perigo, demonstra apenas irresponsabilidade".
Paulo Coelho in Maktub

 :up
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 14.jul.2011, 23:45:34
"Tens medo de fazer amor comigo?
-Tenho-respondeu ele.
-Por eu ser preta?
-Tu não és preta.
-Aqui, sou.
-Não, não é por seres preta que tenho medo.
-Tens medo que eu esteja doente...
-Sei prevenir-me.
-É porquê, então?
-Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti."

Mia Couto in Venenos de Deus, Remédios do diabo
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 15.jul.2011, 14:05:57
Albus Dumbledore
"Of course it is happening inside your head, Harry, but why on earth should that mean that it is not real?"

J.K. Rowling inHarry Potter and the Deathly Hallows


Adoro esta frase :)
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 17.jul.2011, 00:44:06
"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar" .

Susanna Tamaro in Vai onde te leva o coração

Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 18.jul.2011, 13:04:28
"Em dezanove minutos podemos cortar a relva do jardim, pintar o cabelo, assistir a um terço de um jogo de hóquei. em 19 minutos podemos fazer scones ou arranjar um dente no dentista; podemos dobrar a roupa de uma família de cinco pessoas. 19 minutos foi o tempo necessário para que os Tennesse Titans esgotassem os bilhetes para as finais. é a duração de um episódio de uma série cómica, sem contar com os anúncios. é a distância de automóvel entre a fronteira do Vermont e a cidade de Sterling, no New Hampshire. em 19 minutos podemos encomendar uma pizza e recebê-la em casa. podemos ler uma história a uma criança ou mudar o óleo do carro. podemos andar 1,5km. podemos coser uma bainha. em 19 minutos podemos parar o mundo, ou podemos simplesmente saltar para fora dele. em 19 minutos podemos vingar-nos."

Jodi Picoult in Dezanove Minutos
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: thehip em 18.jul.2011, 19:14:31
Gosto muito deste tópico  :)

"Polónio: (...) S^e simples, mas nunca vulgar. (...)" 

William Shakespeare in Hamlet
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 18.jul.2011, 22:14:52
“Nem sempre casaremos com a alma a que estamos mais fortemente ligados. Pode existir mais do que uma para nós, pois as famílias de almas viajam juntas. Podemos decidir casar com uma alma companheira à qual estamos menos ligados, uma que tenha algo específico para nos ensinar ou para aprender connosco. O reconhecimento de uma alma gémea pode acontecer mais tarde, depois de ambos estarem comprometidos com as famílias da vida actual. Ou a alma a que estamos mais fortemente ligados pode ser um dos nossos pais, um filho, um irmão. Ou a ligação mais forte pode ser com uma alma que não tenha encarnado durante a nossa vida, mas que está a tomar conta de nós do outro lado, como um anjo da guarda.

Por vezes, a nossa alma gémea está disponível e disposta a uma relação. Ele ou ela podem reconhecer a paixão e a química entre os dois, os laços íntimos e subtis que implicam ligações ao longo de muitas vidas. No entanto, ele ou ela podem ser prejudiciais para nós. É uma questão de desenvolvimento de almas. Se uma alma é menos desenvolvida e mais ignorante do que a outra, traços de violência, avareza, ciúme, ódio e medo podem surgir na relação. Estas tendências são prejudiciais para a alma mais evoluída, mesmo vindo de uma alma gémea. Frequentemente, fantasias de salvamento surgem com o pensamento “Eu posso mudá-lo; eu posso ajudá-lo a crescer.” Se ele não permitir a nossa ajuda, se no seu livre arbítrio decidir não aprender, não crescer, a relação está condenada. Talvez haja outra oportunidade noutra vida, a não ser que ele acorde tarde, mas acorde, nessa mesma. Despertares tardios, também acontecem.

Por vezes, as almas gémeas decidem não casar enquanto encarnadas. Fazem por se conhecer, por se manter juntas até que a tarefa acordada esteja cumprida e, então, continuam. Os seus projectos, os seus planos de aprendizagem para toda a vida são diferentes e não querem ou não precisam de passar a vida juntas. O que não é uma tragédia, apenas uma questão de aprendizagem. Têm a vida eterna juntas, mas por vezes necessitam de participar em aulas separadas. Uma alma gémea que esteja disponível, mas adormecida, é uma figura trágica e pode causar grande angústia. Adormecida significa que ele ou ela não vê a vida claramente, não está consciente dos vários níveis de existência. Adormecido significa não saber nada sobre almas. Geralmente é a consciência prática do quotidiano que impede o despertar. Ouvimos as desculpas da mente todo o tempo. Sou demasiado jovem; necessito de mais experiência; ainda não estou pronto para assentar; és de uma religião diferente (ou raça, região, estrato social, nível intelectual, base cultural, e assim sucessivamente)”. Isto são desculpas, pois as almas não possuem nenhum destes atributos.

A pessoa pode reconhecer a química. A atracção está lá em definitivo mas a origem da química não é compreendida. É ilusório acreditar que essa paixão, esse reconhecimento da alma, essa atracção sejam facilmente encontrados de novo com outra pessoa. Não se tropeça numa alma gémea todos os dias, talvez só mais uma ou duas vezes na vida. A graça divina pode recompensar um bom coração, uma alma cheia de amor. Nunca nos devemos preocupar em encontrar a alma gémea. Tais encontros são coisa do destino. Ocorrerão. Depois do encontro, reina o livre arbítrio de ambas as partes. Que decisões são ou não tomadas é uma questão de livre arbítrio, de escolha. Os mais adormecidos tomarão decisões baseados na mente e em todos os seus medos e preconceitos. Isto muitas vezes resulta em corações partidos. Quanto mais desperto estiver o casal, maior a probabilidade de uma decisão ser baseada no amor. Quando os dois parceiros estão despertos, o êxtase está ao seu alcance".

Brian L. Weiss. In Só o amor é real
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 20.jul.2011, 14:18:36
O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.

William Shakespeare in Romeo and Juliet
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Mitzrael em 24.jul.2011, 21:03:44
"Quando amamos alguém, não perdemos só a cabeça, perdemos também o nosso coração. Ele salta para fora do peito e depois, quando volta, já não é o mesmo, é outro, com cicatrizes novas. E outras vezes não volta. Fica do outro lado da vida, na vida de quem não quis ficar ao nosso lado."

“É preciso encontrar lugar para o amor na nossa vida, é preciso dar-lhe espaço e tempo, é preciso ser humilde e corajoso, não ter medo de investir, e arriscar, mesmo sem nunca saber o que o futuro nos reserva.”

Margarida Rebelo Pinto In O dia em que te esqueci
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: SeaMari em 26.jul.2011, 14:54:57
"E isso é outro assunto, meu Deus, ela ainda não engravidou apesar das muitas vezes que fizemos amor sem qualquer preocupação.
Ela nada diz sobre o assunto, não o menciona nem lhe oferece um boné de aniversário para o bebé careca, nem lhe pede que arranje um, E ela é tão frágil que não conseguiria tomar conta de uma criança:
Ou será que há algo de errado com a sua constituição?
Como poderá ele saber se ela está a ser sincera ou apenas a actuar? Será que poderá amar sem ter um texto escrito? Nesse breve período de felicidade, Mimosina Dolcezza já o presenteou com algumas coisas esquisitas. Nem sequer se comportou muito bem no que respeita a sua atitude pouco generosa para com a sua protegida, já para não mencionarmos o doentio incidente  com o Lorde Stintleigh. Ela fala línguas que ele não conhece e já viveu vidas que das quais ele nada sabe: que lhe estaria reservado se ele ficasse com ela? Apenas uma mulher ou um continente delas?"
Michelle Lovric in O Remédio
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Espiral em 24.ago.2011, 18:54:36
"Há entre nós melhor do que um amor: uma cumplicidade."

Marguerite Yourcenar in 'Fogos'
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Di HF em 24.ago.2011, 19:50:33
Albus Dumbledore
"Of course it is happening inside your head, Harry, but why on earth should that mean that it is not real?"

J.K. Rowling inHarry Potter and the Deathly Hallows


Adoro esta frase :)
:up
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: navigator em 17.out.2011, 15:03:00
"Ver e ouvir são as únicas coisas nobres que a vida contém. Os outros sentidos são plebeus e carnais. A unica aristocracia é nunca tocar. Não se aproximar - eis o que é fidalgo."

Fernando Pessoa/Bernardo Soares
in "Livro do Desassossego"
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Spring em 17.out.2011, 15:44:24
"Há entre nós melhor do que um amor: uma cumplicidade."

Marguerite Yourcenar in 'Fogos'

 :up
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: lifestyle em 31.jan.2012, 14:06:53
“Todas as relações morrem. Todas. Sobretudo as mais preciosas. Porque só a essas pessoas exigimos que nos dêem, para sempre, os gestos e as palavras ao nível de tudo o que já deram. Ora, quando alguém nos decepciona, morre um bocadinho dentro de nós. (A fórmula habitual dessa morte silenciosa é: «Apetecia-me dizer-lhe duas coisas… Mas não vale a pena. Sei que não vai entender… »). Quando alguém morre um bocadinho dentro de nós morremos para a vida nesse morrer.”

Eduardo de Sá in Nunca se perde uma paixão
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: the reel me em 31.jan.2012, 14:18:13
"(...) parece que não vês que as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberá como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus, porque os nomes que lhes deste não são mais que isso, os nomes que lhes deste"

José Saramago in As intermitências da morte
Título: Re: Histórias aos Pedaços
Enviado por: Quetzal em 04.fev.2012, 01:26:35
"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar" .

Susanna Tamaro in Vai onde te leva o coração


Inspirador de facto :)
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: mad em 19.fev.2012, 12:19:44
‘What if man is not really a scoundrel, man in general, I mean, the whole race of mankind—then all the rest is prejudice, simply artificial terrors and there are no barriers and it’s all as it should be.’
Fyodor Dostoyevsky, Crime e Castigo

Estou a ler em Inglês por isso não me arrisco a traduzir e a perder conteúdo. :P
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Spektrum em 08.mar.2012, 17:30:05
"Milhões de pessoas morreriam de aborrecimento, por falta de imaginação, como sucede às moscas no Outono, se as privassem do oxigénio viciado da mentira."

Fiódor Dostoiévski in O pequeno Herói
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: jasmin em 08.mar.2012, 18:13:57
"- Podíamos ir…ao cinema? A uma discoteca? A um Bar? Depende…o que é que te apetece?
 - …Tu! Apeteces-me Tu Marta.

"Sempre como n´Areia" -Patricia Cruz-

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Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: uninvited em 04.abr.2012, 15:43:04
"- Podíamos ir…ao cinema? A uma discoteca? A um Bar? Depende…o que é que te apetece?
 - …Tu! Apeteces-me Tu Marta.

"Sempre como n´Areia" -Patricia Cruz-

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“As duas pareciam ter tudo em comum e ser elementos de pólos opostos de um universo, cujas forças cósmicas haviam conspirado para que se encontrassem, para que mergulhassem e se guiassem mutuamente nos caminhos do conhecimento.
A tradição do Sol e a tradição da Lua reuniam-se naquelas duas almas que, num cálculo infinito de probabilidades, sentiam as suas energias fluírem e convergirem sem que, como geralmente acontece quando empreendemos esforços em novos relacionamentos, se perdessem no nada nem se gastassem no todo de um qualquer trânsito breve.”

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Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: jasmin em 07.abr.2012, 17:40:11
"- Podíamos ir…ao cinema? A uma discoteca? A um Bar? Depende…o que é que te apetece?
 - …Tu! Apeteces-me Tu Marta.

"Sempre como n´Areia" -Patricia Cruz-

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“As duas pareciam ter tudo em comum e ser elementos de pólos opostos de um universo, cujas forças cósmicas haviam conspirado para que se encontrassem, para que mergulhassem e se guiassem mutuamente nos caminhos do conhecimento.
A tradição do Sol e a tradição da Lua reuniam-se naquelas duas almas que, num cálculo infinito de probabilidades, sentiam as suas energias fluírem e convergirem sem que, como geralmente acontece quando empreendemos esforços em novos relacionamentos, se perdessem no nada nem se gastassem no todo de um qualquer trânsito breve.”

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Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Geez em 26.abr.2012, 00:13:55
"A fórmula de Deus" por José Rodrigues dos Santos

"Vivemos a vida como se ela fosse eterna, como se a morte fosse algo que só acontece aos outros e apenas nos está reservada ao fim de muito tempo, tanto tempo que nem merece a pena pensarmos nisso. Para nós, a morte não passa de uma abstracção. No entretanto eu preocupo-me com as minhas aulas e as minhas pesquisas (…). Sabes, as pessoas passam pela vida como sonâmbulas, preocupam-se com o que não é importante, querem ter dinheiro e notoriedade, invejam os outros e esmifram-se por coisas que não valem a pena. Levam vidas sem sentido. Limitam-se a dormir, a comer e a inventar problemas que as mantenham ocupadas. Privilegiam o acessório e esquecem o essencial. Mas o problema é que a morte não é uma abstracção. Em boa verdade, ela está já aqui ao virar da esquina. Um dia, estamos nós muito bem a deambular pela rua da vida como sonâmbulos, vem um médico e diz-nos: você pode morrer. E é nesse instante, quando de repente o pesadelo se torna insuportáveis, que finalmente despertamos. (…) Despertei para ver a vida a escoar-se como a água que desaparece por aquele ralo."
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: the reel me em 26.abr.2012, 21:25:33
"- Quando fores crescido, hás de querer ser feliz. Por enquanto não pensas nisso e é por isso mesmo que o és. Quando pensares, quando quiseres ser feliz, deixarás de sê-lo. Para nunca mais! Talvez para nunca mais!...Ouviste? Para nunca mais. Quanto mais forte for o teu desejo de felicidade, mais infeliz serás. A felicidade não é coisa que se conquiste. Hão de dizer-te que sim. Não acredites. A felicidade é ou não é."

Claraboia de José Saramago
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Mr Unchained em 02.mai.2012, 19:16:44
Foram algumas passagens neste livro, mas vou destacar uma que me deixou completamente de rastos...

"Quando voltei a mim, pensei que tinha terminado, mas o pior ainda estava por vir. Tinham-me retirado a venda, e vi que a Assassina tinha a seu lado uma pilha de espinhos de acácia. Utilizou-os para fazer buracos na minha pele, após o que passou um fio branco sólido e me coseu. Eu tinha as pernas completamente dormentes mas a dor que eu sentia naquele sítio era tão terrível que desejei morrer." - Flor do Deserto, Waris Dirie.
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: KenIchijouji em 31.mai.2012, 11:09:45
“They sat on a park bench, held hands, and told each other their stories hour after hour. They were not lonely anymore. They had found and been found by their 100% perfect other. What a wonderful thing it is to find and be found by your 100% perfect other. It's a miracle, a cosmic miracle.”
― Haruki Murakami, 1Q84
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: andredunnowat2do em 28.jun.2012, 23:51:20
“What we have here is a dreamer. Someone completely out of touch with reality.”
“Their desire was silent yet magnificent, like a thousand daisies attuning their faces toward the path of the sun.”

The Virgin Suicides, Jeffrey Eugenides
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Spektrum em 19.ago.2012, 12:26:11
Do pouco que ainda li de Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei, de Paulo Coelho, foram estas as passagens que mais me chamaram à atenção:

« O frio do Inverno fez com quem eu sentisse as lágrimas na face, e elas misturaram-se com as águas geladas que corriam diante de mim. Em algum lugar, este rio junta-se com outro, depois com outro, até que - distante dos meus olhos e do meu coração - todas estas águas se confundam com o mar. Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe, para que o meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele. (...)
Talvez o amor nos faça envelhecer antes da hora e nos torne jovens quando a juventude já passou. Mas como não recordar aqueles momentos? Por isso escrevia, para transformar a tristeza em saudade, a solidão em lembranças. »
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Quetzal em 07.set.2012, 23:04:00
"Eis a dificuldade do nosso tempo: mal começam a germinar em nós ideais, sonhos, belas esperanças, logo a realidade cruel se apodera de tudo isso para o destruir totalmente. É por milagre que não renunciei  a todas as minhas esperanças, na verdade tão absurdas e irrealizáveis. Mas eu agarro-me a elas, apesar de todos e de tudo, porque tenho fé no que há de bom no homem."
Diário de Anne Frank, 15 de Julho de 1944
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Nutopia em 28.mar.2013, 19:39:49
 "De quando em quando , e cada vez com maior frequência , suspeitamos uma dúvida momentânea, um espasmo de rebeldia, à medida que as páginas vão sendo preenchidas de forma habitual. É assim a vida?
  Olhamos para dentro e a vida, ao que parece , está muito longe de ser "assim". Analisemos por um momento um espírito vulgar no decorrer de um dia vulgar. O espírito recebe uma miríade de impressões - triviais, fantásticas, efémeras, ou gravadas com a veemência do aço. Surgem de todos os lados, chuva contínua de átomos inumeráveis, e, à medida que vão caindo, à medida que vão tomando a forma de uma segunda ou terça-feira, a ênfase recai de um modo sempre diferente, o momento com importância já não é este mas aquele (...)
 A vida não não é uma série de lanternas de trem simetricamente dispostas. A vida é um halo luminoso, um envelope semi-transparente que nos envolve do primeiro ao último momento de consciência."

Ensaios de Virginia Woolf
Título: Re: Serenidade todos os dias
Enviado por: blueheart em 08.ago.2013, 20:02:39
Ok, o assunto é o seguinte, sp k possa venho cá e passo um "episódio" desse tal livro k vos falei, ok? :)



um

momentos de calma em dias agitados



tempo para comtemplar

na verdade, ninguém vê uma flor - é tão pequena - nós não temos tempo, e a contemplação requer muito tempo.... Georgia O'keeffe

"vivemos dias de fome de tempo", afirma odette pollar na sua coluna de jornal, onde procura ajudar as pessoas a trabalhar de forma mais inteligente. (...)
Gosto da expressao "fome de tempo", e inanição é certamente uma analogia adequada à nossa situação actual. muitos de nós temos fome de tempo e ansiamos desesperadamente por sermos alimentados. Temos fome desses momentos a sós em que podiamos simplesmente passear, arrumar gavetas ou reler cartas antigas, sem qualquer pressão ou sentimento de culpa.
A nossa fome priva-nos da nutrição que esses intervalos nos costumavam proporcionar: a sensação de estarmos concentrados nas nossas vidas, a consciencia das nossas proprias necessidades espirituais e das das nossas familias, a confianla do auto-conhecimento.
Numa situaçao de fome - pelo menos na melhor das hipoteses -, aqueles que têm meios, os ricos, ajudam os que nada possuem, os pobres. E, assim, colocava-se a seguinte questão: Onde se posiciona você quanto à questão de fome de tempo, no grupo dos que têm ou no dos que não têm?


para os que não têm: hoje, pare e contemple realmente uma flor (ou uma tela floral de o'keeffe).
para os k têm: ajude outra pessoa a faze-lo!

............................................................david kundtz




exelente!!
Título: Citações de livros
Enviado por: nevertoolatetobehappy em 07.out.2013, 01:38:12
Boa noite a tod@s,

Estava no comboio a ler o "Mrs Dalloway" e deparei-me com uma frase que achei interessante partilhar. Como não encontrei nenhum tópico sobre partilha de passagens de livros, decidi criá-lo. :)

A citação é a seguinte:

"Era terrível confessá-lo (tinha voltado a pôr o chapéu), mas agora, aos cinquenta e três anos, já quase dispensamos as pessoas. A própria vida, cada momento seu, cada gota, aqui, neste instante, agora, ao sol de Regent's Park, era o suficiente. Demasiado, até. Uma vida inteira era demasiado curta, agora que alcançamos esse poder, para dela retirarmos o pleno sabor, para dela extrairmos cada grama de prazer, cada cambiante de sentido; agora, que prazer e sentido se tornavam muito mais sólidos, e mais impessoais, do que haviam sido até então."

Quem mais leu alguma passagem que @ marcou? ;)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: ilikemiguel em 07.out.2013, 13:16:10
A minha resposta é sempre a mesma: não me ecoam na cabeça outras palavras mais intensas, mais universais, mais dolorosamente dóceis e fervilhantemente apaixonadas, que as do primeiro capítulo do livro que me dá forma, já há anos...

«Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu-da-boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã, um metro e trinta e dois a espichar dos soquetes; era Lo, apenas Lo. De calças práticas, era Lola. Na escola, era Dolly. Era Dolores na linha pontilhada onde assinava o nome. Mas nos meus braços era sempre Lolita.
Teve uma percursora? Teve, sim, teve. Na verdade, talvez até não houvesse Lolita nenhuma, se certo verão, eu não tivesse amado uma rapariga-menina inicial. Num principado junto ao mar. Oh, quando? Quase tantos anos antes de Lolita nascer quantos eu contava nesse verão. É sempre de esperar num assassino uma prosa de estilo caprichoso.
Senhoras e senhores do júri, a prova número um é o que os serafins, os simples, mal informados e nobremente alados serafins, cobiçaram. Reparai neste emaranhado de espinhos.»

Lolita, Vladimir Nabokov.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: nevertoolatetobehappy em 05.dez.2013, 01:06:49
"Do you always think this much, Charlie?"
"Is that bad?" I just wanted someone to tell me the truth.
"Not necessarily. It's just sometimes people use thought to not participate in life."

(The Perks of Being a Wallflower)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 26.dez.2013, 20:01:04
É ela. É sempre ela. Para onde quer que olhe, para onde quer que vá. É ela. É sempre ela. O rosto dela, os traços dela, o jeito dela. E ouço-a falar. E sei exactamente como ela fala, e conheço exactamente o tom de voz dela, cada pausa, cada esgar, cada momento em que pára para pensar e cada momento em que pára para sorrir. E sou eu que paro. Sou eu que, ao vê-la em cada espaço por preencher dentro dos meus olhos (e o que são os olhos senão espaços por preencher; espaços sempre por preencher?), não paro. Continuo a encontrá-la. E não sei o que hei-de fazer para lhe fugir (como se foge do que está por dentro dos olhos? como se escapa do que não pode ser eliminado, do que não é mais do que um pensamento dentro da cabeça? como se escapa do que não existe? como se acaba com o que nunca começou?), não sei o que hei-de fazer para me fugir.
O amor é tão grande que nem precisa de corpo para existir.


Pedro Chagas Freitas, in Ou É Tudo Ou Não Vale Nada
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: nevertoolatetobehappy em 26.dez.2013, 21:02:54
"The truth – that love is the ultimate and the highest goal to which man can aspire. (...) The salvation of man is through love an in love. I undestrood how a man who has nothing left in this world still may know bliss, be it only for a brief moment, in the contemplation of his beloved."

"(...) everything can be taken from a man but one thing: the last of human freedoms: to choose one's attitude in any given set of circumstances, to choose one's own way."

"Instead of possibilities, I have realities in my past, not only the reality of work done and of love loved, but of sufferings bravely suffered. These sufferings are even the things of which I am most proud, though these are things which cannot inspire envy."


Viktor E. Frankl, Man's Search for Meaning
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 27.dez.2013, 19:58:23
O devorador devorado
O polvo tem os olhos do pescador que o atravessa. É de terra o homem
que será comido pela terra que lhe dá de comer. O filho come a mãe e a terra come
o céu cada vez que recebe a chuva de seus peitos. A flor se fecha, glutona, sobre o
bico do pássaro faminto de seus méis. Não há esperado que não seja esperador nem
amante que não seja boca e bocado, devorador devorado: os amantes se comem
entre si de ponta a ponta, todos todinhos, todo-poderosos, todo-possuídos, sem que
fique sobrando a ponta de uma orelha ou um dedo do pé.


A noite/1
Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas
pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher
atravessada em minha garganta. 


A noite/2
― Arranque-me, senhora, as roupas e as dúvidas. Dispa-me, dispa-me. 

A noite/3
Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de
um abismo.


A noite /4
Solto-me do abraço, saio às ruas.
No céu, já clareando, desenha-se, finita, a lua. A lua tem duas noites de
idade. Eu, uma.

Eduardo Galeano - O Livro dos Abraços
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Arch em 29.jan.2014, 19:28:44
Manuel: Que posso eu fazer? Sim, que posso eu fazer? Sempre que há uma voz de esperança os tambores abafam-lhe a voz… Sempre que alguém grita os sinos tocam a rebate… E cai-nos tudo em cima: o rei, a polícia, a fome… Até Deus! E ficamos pior do que estávamos… Se tínhamos fome e esperança, ficamos só com fome… Se, durante uns tempos, acreditámos em nós próprios, voltamos a não acreditar em nada… Esta madrugada prenderam Gomes Freire… Levaram-no, escoltado, para S. Julião da Barra. Já de lá não sai vivo!

Felizmente Há Luar, Luis de Sttau Monteiro, Acto II

Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Nutopia em 29.jan.2014, 22:18:48
«Pelo corpo deixo que a paixão me tome: o corpo ele próprio já essa paixão ou objeto dela,
sua raiz, sua motivação, seu ócio. -Como não recordar tuas ancas estreitas e jamais te dizer paixão por elas?
Assim, amo partes de ti, a ti por essa causa e de mim no contentamento de as ter, me comprazer com elas.»


Mariana Alcoforado in As Cartas Portuguesas.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 30.jan.2014, 13:15:35
É mais sensual uma mulher vestida do que uma mulher despida. A sensualidade é o intervalo entre a luva e o começo da manga.

António Lobo Antunes, Diário de Notícias (2004)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: kenprt em 31.jan.2014, 04:12:24
Este excerto do livro Caím fez me rir imenso. Admiro Saramago neste texto pela frontalidade e a liberdade de opinião deste senhor que já faleceu mas que era bastante idoso.

"Há uns três dias, não mais tarde, tinha ele dito a abraão, pai do rapazito que carrega às costas o molho de lenha, Leva contigo o teu único filho, isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte mória e oferece-o em sacrifício a mim sobre um dos montes que eu te indicar. O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando tem sede, o que signifi ca que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à m****, mas não foi assim. Na manhã seguinte, o desnaturado pai levantou-se cedo para pôr os arreios no burro, preparou a lenha para o fogo do sacrifício e pôs-se a caminho para o lugar que o senhor lhe indicara, levando consigo dois criados e o seu filho isaac. No terceiro dia da viagem, abraão viu ao longe o lugar referido. Disse então aos criados, Fiquem aqui com o burro que eu vou até lá adiante com o menino, para adorarmos o senhor e depois voltamos para junto de vocês. Quer dizer, além de tão filho da p*** como o senhor, abraão era um refinado mentiroso, pronto a enganar qualquer um com a sua língua bífida, que, neste caso, segundo o dicionário privado do narrador desta história, significa traiçoeira, pérfida, aleivosa, desleal e outras lindezas semelhantes."
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 04.fev.2014, 12:36:19
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto, um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.


Luís de Camões, in Verso e alguma prosa de Luís de Camões.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sparkle em 05.fev.2014, 11:31:39
O que mais dói não é – desengana-te – a infelicidade. A infelicidade dói. Magoa. Martiriza. É intensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar. Mas a infelicidade não é o que mais dói. A infelicidade é infeliz – mas não é o que mais dói.

O que mais dói é a subfelicidade. A felicidade mais ou menos, a felicidade que não se faz felicidade, que fica sempre a meio de se ser. A quase felicidade. A subfelicidade não magoa – vai magoando; a subfelicidade não martiriza – vai martirizando. Não é intensa – mas é imensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar – mas em silêncio, em surdina, em anonimato. Como se não fosse. Mas é: a subfelicidade é. A subfelicidade faz-te ficar refém do que tens – mas nem assim te impede de te sentires apeado do que não tens e gostarias de ter. Do que está ali, sempre ali, sempre à mão de semear – e que, mesmo assim, nunca consegues tocar. A subfelicidade é o piso -1 da felicidade. E não há elevador algum que te leve a subir de piso. Tens de ser tu a pegar nas tuas perninhas e a subir as escadas. Anda daí.

Sair da subfelicidade é um drama. Um pesadelo. Sair da subfelicidade é mais difícil do que sair da infelicidade. Para sair da infelicidade, toda a gente sabe – tu mesmo o sabes: tens de tomar medidas drásticas. Medidas radicais. Porque a infelicidade é, também ela, radical. Mas sair da subfelicidade é uma batalha interior muito mais dolorosa. Desde logo, porque não sabes se queres, mesmo, sair da subfelicidade. Porque é na subfelicidade que consegues ter a certeza de que evitas a desilusão – terás, no máximo, a subdesilusão; porque é na subfelicidade que consegues ter a certeza de que evitas a perda – terás, no máximo, a subperda. Estás a ficar perdido com o que te digo?

A subfelicidade é o produto mais diabólico que a humanidade criou. A subfelicidade é resultado da mente, também ela diabólica, de quem tem consciência. Para um cão, para um gato, para um periquito, para um leão ou até para uma formiga, não existe a subfelicidade: a felicidade pacífica. Impossível: ou está feliz porque tem comida e bebida, ou está infeliz porque nada tem para comer ou nada tem para beber. Os animais, por mais cores que os olhos lhes dêem a ver, vêem o mundo a preto e branco . Ou é preto ou é branco. Ou é feliz ou infeliz. Ou é tudo ou é nada. O humano, esse, foi mais longe. E foi por isso que ficou, cada vez mais, refém do que está perto – do que está seguro. Formatado pela consciência, o homem assimilou um conceito que, na verdade, não existe: o da felicidade segura. Espero que estejas bem seguro nessa cadeira quando leres o que aí vem no próximo parágrafo.

A felicidade segura não existe. A felicidade segura é segura, sim – mas não é felicidade. A felicidade pacífica é pacífica, sim – mas não é felicidade. A felicidade, quando é felicidade, assolapa, euforiza, arrebata. E não deixa respirar, e não deixa sequer pensar. A felicidade, quando é felicidade, é só felicidade. E tudo o que existe, quando existe felicidade, é a felicidade. Só ela e tu. Ela em ti. Ela em todo o tu. A felicidade, para ser felicidade, não tem estratos, não tem razão. Ou é ou não é. A felicidade é animal, de facto – mas é ainda mais demencial. Deixa-te louco de felicidade, maluco de alegria, passado dos cornos. Só quando estás dentro da felicidade é que estás fora de ti. Liberto do corpo, da matéria, da sensação – e imerso naquela indizível comunhão. Tu e a felicidade. Já a sentiste, não?

Não há como dizer de outra maneira: se estás acomodado à subfelicidade, se tens medo de ser feliz e preferes a certeza de seres subfeliz: és um triste de todo o tamanho. A subfelicidade é uma tristeza. Uma tristeza de hábitos, de rotinas, de sorrisos – uma tristeza que inibe a surpresa, o imprevisível, a gargalhada. Uma tristeza que te faz refém do que fazes e te impede de te seres o que és. Olha em redor: a toda a volta há pessoas subfelizes, pessoas que dizem “vai-se andando”, pessoas que dizem “tem de ser”, pessoas que dizem “eu até gosto dele”, pessoas que dizem “sou feliz” com os olhos cheios de “queria ser feliz”, pessoas que dizem “é a vida”. Mas não é. A vida não é a quase felicidade. A vida não é a subfelicidade. E, se é a primeira vez que vês isso, fica entendido o que sentes. Ou subentendido, pelo menos.


Pedro Chagas Freitas
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 05.fev.2014, 22:10:08
As palavras

O preço de uma pessôa vê-se na maneira como gosta de usar as
palavras. Lê-se nos olhos das pessôas. As palavras dançam nos
olhos das pessôas conforme o palco dos olhos de cada um.


Centenario das palavras

Todos os dias faz annos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenario das palavras.


Valor das palavras

Ha palavras que fazem bater mais depressa o coração--todas
as palavras--umas mais do que outras, qualquer mais do que
todas. Conforme os logares e as posições das palavras. Segundo o
lado d'onde se ouvem--do lado do Sol ou do lado onde não dá o Sol.

Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta
ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo.

As palavras querem estar nos seus logares!


Nós e as palavras

Nós não somos do seculo d'inventar as palavras. As palavras
já foram inventadas. Nós somos do seculo d'inventar outra vez as
palavras que já foram inventadas.


Almada Negreiros, in A Invenção do Dia Claro
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 27.fev.2014, 22:50:21
Sans fin se décrivant. L'un l'autre. A l'un, l'autre. Disant la couleur des yeux. Le grain de la peau. La douceur du sein qui tient dans la main. La douceur de cette main. En ce moment même où elle en parle, elle la regarde. Je me regarde avec tes yeux.

Marguerite Duras, in "Le Navire Night" (1979)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: theone111 em 01.mar.2014, 18:10:28
People often ask me how they can leave the planet, so I have prepared some brief notes.

How to Leave the Planet

1. Phone NASA. Their phone number is (713) 483-3111. Explain that it’s very important that you get away as soon as possible.

2. If they do not cooperate, phone any friend you may have in the White House—(202) 456-1414—to have a word on your behalf with the guys at NASA.

3. If you don’t have any friends in the White House, phone the Kremlin (ask the overseas operator for 0107-095-295-9051). They don’t have any friends there either (at least, none to speak of), but they do seem to have a little infuence, so you may as well try.

4. If that also fails, phone the Pope for guidance. His telephone number is 011- 39-6-6982, and I gather his switchboard is infallible.

5. If all these attempts fail, flag down a passing flying saucer and explain that it’s vitally important you get away before your phone bill arrives.


Douglas Adam - The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Nutopia em 03.mar.2014, 00:29:44
"(...) quanto a mim mesma, sempre conservei uma aspa à
esquerda e outra à direita de mim. De algum modo “como se não
fosse eu” era mais amplo do que se fosse - uma vida inexistente que me
possuía toda e me ocupava como uma invenção.
Somente na fotografia, ao revelar-se o negativo, revelava-se algo que,
inalcançado por mim, era alcançado pelo instantâneo: ao revelar-
se o negativo também se revelava a minha presença de ectoplasma.
Fotografia é o retrato de um côncavo, de uma falta, de uma
ausência?"


Clarice Lispector in A Paixão segundo G.H.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: SugarCube em 03.mar.2014, 21:38:12
“Maybe 'okay' will be our 'always”
― John Green, The Fault in Our Stars

Para quem conhecer a história vai perceber porque é que gosto tanto desta frase :)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Til em 11.mar.2014, 00:20:48
Se toda a gente fizesse o que pode, o mundo estaria com certeza melhor.

José Saramago, A Viagem do Elefante
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Arch em 12.mar.2014, 00:41:22
É próprio do ser humano tornas as coisas especiais. As pessoas têm uma apetência natural por tudo o que acham belo e ficam perturbadas com o que consideram feio. Encontram beleza nas coisas que parecem conferir harmonia às suas vidas e sentido na forma como vêm o mundo, da visão de uma grandiosa cordilheira de montanhas às simples pétalas coloridas de uma flor a desabrochar na Primavera. A Arte pertence a uma categoria especial. [...] Quando se confrontam com a natureza, os seres humanos adoptam uma postura contemplativa. Encaram o mundo como ele é e ficam maravilhados com tudo o que vêm e não os ameaça. [...] A Arte é uma coisa que não existe naturalmente no mundo, trata-se apenas de uma criação humana. A Arte é o produto  da acção do homem quando ele tenta transcender a sua condição animal e passar de criatura a criador. A Arte surge quando alguém transforma um acto animal num objecto cultural que se pode tornar sublime.

Ao pintar uma cena na floresta, o homem torna-se Deus porque cria numa tela a natureza, ao contar uma história num romance o homem torna-se Deus porque cria no papel a vida de pessoas.

A Arte é um processo de divinização. No caso da pintura, ela nasceu do acto animal da caça. Os homens primitivos caçavam. Depois começaram a desenhar cenas nas paredes das cavernas para exorcizar os demónios da caça e atrair o favor dos deuses. Ou seja, aculturaram o acto de caçar. Não contentes com isso, aprimoraram essas cenas e criaram objectos artísticos como Lascaux e Altamira. A cultura transformou-se assim em arte. Toda a arte nasce de uma refinação da cultura, que por sua vez nasce de um acto animal.

Ter frio é uma reacção animal, tecer camisas de lã é um acto cultural, criar peças quentes de haute couture é um gesto artístico. A noção de estética requer a passar para um estado superior da experiência humana, em que a mera sobrevivência já não está em questão.

José Rodrigues dos Santos, O Homem de Constantinopla. Grádiva, 2013. pp,332-333
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: kustom em 23.mar.2014, 01:59:51
'-Diga-me uma coisa, quando está sozinho, acontece-lhe pensar no seu companheiro e ficar triste?
- é claro - exclama ele - Às vezes acontece.Quando a lua fica azul, quando os pássaros voam para sul, quando...
- Porque diz é claro - interessa-me saber.
-Porque todo aquele que se apaixona está à procura da metade que lhe falta. Daí que toda e qualquer apaixonado se sinta triste ao pensar na pessoa amada. É como regressar passado muito tempo a um quarto onde se viveu bons momentos.' - in Kafka à beira-mar, Haruki Murakami
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Nutopia em 25.mar.2014, 21:56:39

"Um amor, violento, uma melancolia profunda invadindo a nossa alma;
são infindos elementos diversos que se fundam, se penetram,
sem contornos precisos, sem a menor tendência a exteriorizarem-se
uns relativamente aos outros; a sua originalidade
tem este preço. Já se deformam quando distinguimos na sua
massa confusa uma multiplicidade numérica: que acontecerá
quando os manifestarmos, isolados uns dos outros, no meio
homogéneo que se chamará agora, como se quiser, tempo ou espaço?


O próprio sentimento é um ser que vive, se desenvolve e, consequentemente, muda sem cessar; caso contrário, não se
compreenderia como nos levou pouco a pouco a uma resolução: a nossa resolução seria imediatamente tomada.
Mas vive porque a duração em que se desenvolve é uma duração cujos momentos se penetram: ao separarmos estes
momentos uns dos outros, ao desenrolar-mos o tempo no espaço, fizemos perder a este sentimento a sua animação e cor (...)"


Bergson, H.
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Spektrum em 22.abr.2014, 01:15:08
« In the light of what we have recently learned about animal behavior in general, and human behavior in particular, it has become clear that control through the punishment of undesirable behavior is less effec­tive, in the long run, than control through the rein­forcement of desirable behavior by rewards, and that government through terror works on the whole less well than government through the non-violent manip­ulation of the environment and of the thoughts and feelings of individual men, women and children. Pun­ishment temporarily puts a stop to undesirable behav­ior, but does not permanently reduce the victim's tend­ency to indulge in it. Moreover, the psycho-physical by-products of punishment may be just as undesirable as the behavior for which an individual has been pun­ished. Psycho-therapy is largely concerned with the de­bilitating or anti-social consequences of past punish­ments. »

in Brave New World Revisited (1958), Aldous Huxley
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 02.mai.2014, 23:19:31
Os Pensamentos Intraduzíveis

É sabido que comboios completos de pensamento atravessam instantaneamente as nossas cabeças, na forma de certos sentimentos, sem tradução para a linguagem humana, menos ainda para uma linguagem literária... porque muitos dos nossos sentimentos, quando traduzidos numa linguagem simples, parecem completamente sem sentido. Essa é a razão pela qual eles nunca chegam a entrar no mundo, no entanto toda a gente os tem.


Fiodor Dostoievski, in Uma Anedota Sórdida.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: TéNT em 03.mai.2014, 19:03:33
Spoiler (clica para mostrar/esconder)
Ando a ler Dostoievski e estou a adorar a sua escrita!

O passado é um luxo de proprietário.
Onde havia eu de conservar o meu? Não se mete o passado na algibeira; é preciso ter casa para o arrumar.
Possuo apenas o meu corpo; um homem sozinho, só com o seu corpo, não pode reter as recordações; elas passam através dele. Não devia queixar-me: tudo quanto quis foi ser livre.


J.P. Sartre
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: AppleRainbow em 04.mai.2014, 23:25:19
Amor de Perdiçao - C.C.B.
“Não há baliza racional para as belas, nem para as horrorosas ilusões, quando o amor as inventa.”
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Arch em 05.mai.2014, 02:06:50
Depois, entre as sensações que mais penetrantemente doem até serem agradáveis, o desassossego do mistério é uma das maiores complexas e extensas. E o mistério nunca transparece tanto como na contemplação das pequeninas coisas, que, como se não movem, são perfeitamente translucidas a ele, que param para o deixar passar. É mais dificil ter o sentimento do mistério contemplando uma batalha (...) do que diante da contemplação duma pequena pedra parada numa estrada, que, porque nenhuma ideia provoca além da de que existe, outra ideia não pode provocar, se continuarmos pensando, imediatamente a seguir, (a) do seu mistério.

Livro do Desassossego, Pessoa
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Nutopia em 30.jun.2014, 14:04:35
"Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porquê, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstrações que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos? (...)"

in Os Passos em Volta de Herberto Hélder.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: nevertoolatetobehappy em 04.jul.2014, 19:22:05
"Eu quero um colo, um berço, um braço quente em torno ao meu pescoço, uma voz que cante baixo e pareça querer me fazer chorar. Eu quero um calor no inverno, um extravio morno de minha consciência e depois sem som, um sonho calmo, um espaço enorme, como a lua rodando entre as estrelas…"

- in "Livro do Desassosego", Fernando Pessoa.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Mr Unchained em 05.jul.2014, 01:30:19
"The world is not a wish granting factory."

"The thing with pain is that it demands to be felt."

The Fault in Our Stars (A Culpa é das Esrelas) - John Green
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Arch em 20.jul.2014, 03:04:29
Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não. Para criar, destruí-me; tanto me exteriorizei dentro de mim, que dentro de mim não existo senão exteriormente. Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças.

Fernando Pessoa (Bernardo Soares), Livro do Desassossego
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 04.ago.2014, 00:08:34
Como derivado do latim, o termo «existência» significa «o que está aí» [...]

José Ferrater Mora, in Dicionário de Filosofia
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: TéNT em 05.ago.2014, 23:08:24
Justificar-me? Sou quem todos são...
Modificar-me? Para meu igual?...
-Acaba lá com isso, ó coração!

Álvaro de Campos
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Arch em 06.ago.2014, 22:42:54
As pessoas pensam que uma alma gémea é o par perfeito e é isso que toda a gente quer. Mas uma verdadeira alma gémea é um espelho, uma pessoa que te mostra tudo aquilo que te retém, a pessoa que faz com que te centres em ti mesmo para que possas mudar a tua vida. Uma verdadeira alma gémea é provavelmente a pessoa mais importante que alguma vez conhecerás porque deita abaixo as tuas defesas e desperta a tua consciência. (...) As almas gémeas entram na nossa vida para nos revelarem uma outra camada de nós mesmos e depois vão-se embora.

Comer, Orar e Amar, Elizabeth Gilbert
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Mr Unchained em 06.ago.2014, 23:26:30
As pessoas pensam que uma alma gémea é o par perfeito e é isso que toda a gente quer. Mas uma verdadeira alma gémea é um espelho, uma pessoa que te mostra tudo aquilo que te retém, a pessoa que faz com que te centres em ti mesmo para que possas mudar a tua vida. Uma verdadeira alma gémea é provavelmente a pessoa mais importante que alguma vez conhecerás porque deita abaixo as tuas defesas e desperta a tua consciência. (...) As almas gémeas entram na nossa vida para nos revelarem uma outra camada de nós mesmos e depois vão-se embora.

Comer, Orar e Amar, Elizabeth Gilbert

 :up :up :up :up :up

Esse livro foi tão importante para mim, numa altura difícil da minha vida.
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Glass em 10.ago.2014, 00:06:33
"- Diz-me o nome de um herói que fosse feliz. (…) Não conheces nenhum. (…)
- Pois não.
- Eu sei. Nunca te permitem que sejas famoso e feliz. - Ergueu uma sobrancelha. - Vou dizer-te um segredo.
- Diz-me. - Adorava quando ele se comportava assim.
- Eu vou ser o primeiro. - Pegou na palma da minha mão e pousou-a na sua. - Jura.
- Porquê eu?
- Porque tu és a razão."

O Canto de Aquiles, Madeline Miller
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Mr Unchained em 10.ago.2014, 03:48:04
"Bati na terra com a parte de trás dos punhos, e depois voltei a socá-la, uma e outra vez. A areia saltava em volta das minhas mãos, até que acabei a bater directamente nas raízes da árvore. E assim continuei, com a dor a percorrer-me as palmas da mão e os pulsos. Não chorava por Margo até esse momento, mas agora, finalmente, chorei, batendo no chão e gritando, porque não havia ninguém para me ouvir, tinha saudades dela, tinha saudades dela, tinha saudades dela!"
Cidades de Papel - John Green   
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Spektrum em 10.ago.2014, 20:59:19
« A doente [...] articulou numa determinação tenaz:
- Seu c*brão.
[...]
- Está nisto desde que veio. Se assistisse à cena que ela armou para aí com a família o senhor doutor até se benzia. De curtas e compridas tem-nos chamado de tudo.

O médico escreveu no bloco: c*brão, curtas, compridas, riscou um traço por baixo como se preparasse uma soma e acrescentou em maiúsculas C*ralho. A enfermeira, que lhe espreitava sobre o ombro, recuou um passo: educação católica à prova de bala, supôs ele medindo-a. Educação católica à prova de bala e virgem por tradição familiar: a mãe devia estar rezando a Santa Maria Goretti enquanto a fazia.

A Charlotte Brontë a cambalear à beira do KO químico voltou para a janela uma unha onde o verniz estalava:
-Alguma vez viu o sol lá fora, seu c*brão?

O psiquiatra gatafunhou C*ralho + C*brão = Grande F*da, rasgou a página e entregou-a à enfermeira:
- Percebe?, perguntou ele. Aprendi isto com a minha primeira mestra de lavores, diga-se à puridade e de passagem que o melhor clitóris de Lisboa.
»

in Memória de Elefante (1979), António Lobo Antunes

Spoiler (clica para mostrar/esconder)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: hele15 em 10.ago.2014, 23:22:45
“É estranho como a nossa cabeça pode saber o que o coração se recusa a aceitar.”

“Na sua opinião, o maior erro de 99% das pessoas é ter vergonha de serem quem são, é mentir a esse respeito, fingindo ser alguém diferente. A honestidade era sua marca, a sua arma, a sua defesa. Quando somos honestos, as pessoas se assustam, ficam chocadas.”

“O que era amor, afinal? O amor é quando alguém preenchia um espaço na sua vida, um espaço que ficava vazio quando essa pessoa ia embora?”

Spoiler (clica para mostrar/esconder)

Morte Súbita - J. K. Rowling
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Spektrum em 22.ago.2014, 18:38:44
"Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio." (pág. 40)

in Memória de Elefante (1979), António Lobo Antunes.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 16.set.2014, 20:03:23
Como dava beijos lentos,
duravam-lhe mais os amores.


Ramón Gomez de la Serna
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 24.out.2014, 01:31:15
La passion reste en suspens dans le monde, prête à traverser les gens qui veulent bien se laisser traverser par elle.

Marguerite Duras.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: iNd em 05.nov.2014, 13:31:03
Nao havia duvida de que era isso mesmo que Shama esperava da vida: ser conduzida atraves de todos os seus estadios, cumprir todas as suas funcoes, ter a parte que lhe cabia das emocoes estabelecidas: alegria num nascimento, tristeza durante a doenca e perante as necessidades, magoa face a morte. A vida, para ser vivida cheia, tinha que seguir este modelo aprovado de sensacoes.

(...)

Para Shama e as suas irmas, e para todas as mulheres como elas, a ambicao, se e' que a palavra podia ser usada, consistia numa serie de negacoes: nao ser solteira, nao ser esteril, nao ser uma filha, irma, mulher, mae ou viuva que faltasse aos seus deveres.

V. S. Naipaul, Uma Casa para Mr. Biswas
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Arch em 05.nov.2014, 19:20:42
Raimundo Silva perguntou, Ouviu aqueles, Ouvi, Não consegui perceber o que disseram, Eu também não, Nunca saberemos até que ponto  as nossas vidas mudariam se  certas frases ouvidas mas não percebidas tivessem sido entendidas, O melhor, penso eu,  seria começar por fazer  de conta que não percebemos as outras, as claras e directas, Tem toda a razão, mas há pessoas a quem atrai mais o duvidoso que o certo, menos o objecto do que o vestígio dele, mais a pegada na areia do que o animal que a deixou, , são os sonhadores.

História do Cerco de Lisboa, José Saramago
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Fábio Ventura em 17.nov.2014, 23:50:42
Aguentar dia após dia, semana após semana, prolongando um presente sem futuro, parecia um instinto irreprimível, à semelhança dos pulmões, que inspiram sempre mais uma vez enquanto há ar.

George Orwell, 1984

É como se estas horas solitárias (...) fossem (...) o que recebi por todo este conflito. Vivo-as uma atrás da outra. Engulo-as como comida de hospital. Assim, mantenho-me viva. Vivo-as de enfiada, processando o meu mal-estar, sobrevivendo.

Rachel Cusk, Granta n.º 1

- Não possuo seguramente o mesmo talento de outras pessoas (...) para começar a conversar facilmente com alguém que nunca tenha visto antes. Não consigo acertar no tom da conversa ou mostrar-me interessado nos assuntos dessa pessoa, como tantas vezes vejo fazer.

Jane Austen, Orgulho e Preconceito

(Abri o meu caderno de citações em 3 sítios diferentes e foram estas a citações que se destacaram) :)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 26.dez.2014, 00:21:26
pele e interpretação

No amor estamos ainda perante esta lei: "Tudo significa" - tudo é uma forma de discurso passível de interpretação. Barthes fala do "Werther" de Goethe; refere um episódio simples, um quase descuido, um pormenor que num outro contexto seria insignificante; "Por inadvertência, o dedo de Werther toca no dedo de Carlota; os pés, sob a mesa, encontram-se".
Nesta vivência de grandes intensidades - a paixão - nada que venha do outro é secundário ou casual; tudo ocupa o espaço que certas sentenças-limite ocupam noutras situações: "Todo o contacto, para o apaixonado, levanta a questão da resposta: pediu-se à pele que responda".
A pele é transformada assim num órgão que interpreta, no sistema principal do pensamento, um cérebro sentimental - a pele - que tem disponibilidade para ouvir e falar, ligado na intensidade máxima.
Como se a situação de enamoramento baixasse drasticamente o limite da percepção: ouço tudo, vejo tudo; o mínimo toque  torna-se um grito, não há nada que seja mínimo. Mais do que uma "pele sentimental", estamos perante uma "pele pensativa", que reflete, "intelectualmente ávida", superfície que quer entender e que pergunta, constantemente: que significa isto?
Curioso, pois, confrontar os inúmeros contactos casuais na cidade, de corpo contra corpo, de pele contra pele, onde a pele se esconde atrás de uma certa "avareza de interpretações", avareza que se confunde com indiferença entre os corpos que se tocam na "polis, corpos em situação política", corpos "em situação de cidade", em contraponto, pois, com tudo isto temos o amor: a "abundância intelectual da pele", o excesso, o desperdício. A superfície pensa de mais, poderia dizer o apaixonado, após horas de reflexão a partir de um mero toque da amada. Milhares de toques corporais políticos em contraponto ao valor intelectual de um único toque do amado nos momentos do enamoramento.

Gonçalo M. Tavares, Atlas do Corpo e da Imaginação
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 02.jan.2015, 23:22:15
Diz-nos o bom senso que as coisas da terra pouca existência têm, e que a verdadeira realidade está apenas nos sonhos.

Charles Baudelaire, Os Paraísos Artificiais
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Senses em 13.jan.2015, 17:40:37
Você quer voar, mas não se pode começar a voar voando. Primeiro, tenho que lhe ensinar a andar, e o primeiro passo ao aprender a andar é entender que quem não obedece a si mesmo é regido pelos outros. É mais fácil, muito mais fácil, obedecer a outro do que digerir a si mesmo.

Irvin D. Yalom, Quando Nietzsche chorou
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 28.jan.2015, 21:25:34
Yes, I was infatuated with you: I am still. No one has ever heightened such a keen capacity of physical sensation in me. I cut you out because I couldn’t stand being a passing fancy. Before I give my body, I must give my thoughts, my mind, my dreams. And you weren’t having any of those.

Sylvia Plath, The Unabridged Journals of Sylvia Plath
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Nutopia em 07.fev.2015, 12:11:13
Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta do peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor - sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.


Os Passos em Volta.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: TéNT em 07.fev.2015, 22:20:47
Spoiler (clica para mostrar/esconder)

"Os lábios dela procuravam outras Teresas nos meus cabelos, no meu pescoço, nas pregas do meu bibe, entre os meus dedos, no meu ombro. Porque não posso eu reproduzir-me mil vezes e oferecer-lhe mil Teresas? Eu sou apenas eu própria. É demasiado pouco. Não sou uma floresta. (...) Por que é que não sou como a cabeleira do salgueiro para a mão dela que acaricia os meus cabelos?"

Violette Leduc, Teresa e Isabel
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Mónicaf em 21.fev.2016, 13:55:06
«Há uma certa perfeição em todas as coisas que não logramos possuir.»

- Anais Nin, Delta de Vénus
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: pixie em 21.fev.2016, 14:29:56
«Há uma certa perfeição em todas as coisas que não logramos possuir.»

- Anais Nin, Delta de Vénus
esta frase faz tanto sentido...
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: سامانتا em 21.fev.2016, 22:16:14
«Os países podem ser como predadores esfomeados, com mil bocas. Engolem-nos quando a fome é demasiado grande e vomitam-nos quando já não somos necessários.»

em Tea-Bag de Henning Mankell
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Mónicaf em 22.fev.2016, 18:40:35
«(...) talvez se interrogasse se as palavras conseguem exprimir tudo. Será que as palavras têm algum significado? Não destruirão as palavras todos os símbolos que estão para além do alcance das palavras?»

- Virginia Woolf, Flush: Uma Biografia 
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Mónicaf em 23.fev.2016, 20:41:46
« Leu em todo o lado que a juventude é na vida o período de maior plenitude! De onde vem então este nada, esta dispersão da matéria viva? De onde vem este vazio?»

- Milan Kundera, A Vida Não é Aqui


« Xavier não tinha mãe e também não tinha pai, e não ter pais é a condição primeira da liberdade. A liberdade não começa onde os pais são rejeitados ou enterrados, mas onde não são.»

- Milan Kundera, A Vida Não é Aqui
Título: Re: Histórias aos Pedaços - Que passagem mais vos tocou depois de ler um livro?
Enviado por: Spektrum em 10.mar.2016, 00:50:39
Vivi, olhei, li, senti, Que faz aí o ler, Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou certa, Terás então de ler doutra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados às página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser, quê, A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ele, a sua própria margem, que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá que chegar…

in A Caverna (2000), José Saramago
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Spektrum em 07.abr.2016, 15:56:40
"Ao contrário do que costuma dizer-se, o futuro já está escrito, o que nós não sabemos é ler-lhe a página"

José Saramago, in Caim (pág. 135)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Mr Unchained em 08.abr.2016, 16:30:46
“Aprendi a não julgar as pessoas pelas suas limitações, mas pela maneira como avançam além delas.”
“Aprendi que muitas pessoas têm deficiências com as quais precisam aprender a conviver.”
- Amy & Matthew
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Mónicaf em 21.abr.2016, 18:55:18
«Quando estou só, é com frequência que me deixo cair no vazio. Tenho de ter cuidado e ver onde ponho os pés, não vá tropeçar na orla do mundo e cair no vazio. Tenho de bater com a cabeça nas paredes para poder voltar ao meu próprio corpo. »

- Virginia Woolf, As Ondas
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Spektrum em 15.mai.2016, 14:57:08
"Referimo-nos, por exemplo, ao unicórnio, à ave fénix, ao hipogrifo, ao centauro, ao minotauro, ao basilisco, à quimera, a toda essa bicharada desconforme e compósita que não tem mais que uma justificação para existir, a de ter sido produzida por deus em hora de extravagância, do mesmo modo que o jerico ordinário, dos tantos que enxameiam estas terras. Imagina-se o orgulho, o prestígio, o crédito que noé ganharia aos olhos do senhor se conseguisse convencer um destes animais a entrar na arca, de preferência o unicórnio, supondo que o consiga encontrar alguma vez. O problema do unicórnio é que não se lhe conhece fêmea, portanto não há maneira de que possa vir a reproduzir-se pelas vias normais da fecundação e da gestação, ainda que, pensando melhor, talvez não o necessite, afinal, a continuidade biológica não é tudo, já basta que a mente humana crie e recrie aquilo em que obscuramente acredita."

José Saramago, in Caim (pág. 163)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: imystp em 15.mai.2016, 15:50:35
"A beleza é a cor de que se pinta a verdade." (Um Milionário em Lisboa - Jose Rodrigues dos Santos)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: ÉssePê em 15.mai.2016, 16:25:58
"A solidão era um céu maior que a noite e onde não havia mais que noite e frio, era um lugar negro que o olhar via."

Nenhum Olhar - José Luís Peixoto
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: سامانتا em 28.ago.2016, 12:58:01
«E aprendeu que não dava para acumular provisões de nada que, no fundo, tivesse importância. Sensações, gente, músicas, sexo, fogos: eles só existiam no tempo e, quando o tempo acabava, acabavam também.»

- Cidade em Chamas de Garth Risk Hallberg
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: strong em 29.ago.2016, 17:16:40
Tal como a bandeira flutua livremente, deves libertar te e atrever te a ser diferente 😋
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: sleepy_heart em 25.jan.2017, 12:32:58
"Una vez encendida la luz interior, nada puede apagarla, es perfecta e incorruptible como el oro, que simboliza el poder de la pureza, de lo esencial, es decir del espíritu, que es un viaje infinito y maravilloso porque estalla a cada instante vivido con profundidad".

("El viajero interior: No estás deprimido, estás distraído." de Facundo Cabral.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Mónicaf em 11.mar.2017, 23:31:24
«(...) talvez se interrogasse se as palavras conseguem exprimir tudo. Será que as palavras têm algum significado? Não destruirão as palavras todos os símbolos que estão para além do alcance das palavras?»

- Virginia Woolf, Flush: Uma Biografia
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Jiyoana em 15.mar.2017, 23:04:20
"Por vezes faz-se o que se tem a fazer e pronto, disse Mila para consigo. Foge-se de qualquer coisa - de uma obsessão, de uma dor, ou de alguém - e a única solução que se vislumbra é anular-se completamente."

Donato Carrisi, "A Hipótese do Mal"
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Spektrum em 16.mar.2017, 10:43:17
« Hipócrates introduziu a concepção histórica da doença, a ideia de que as doenças seguem caminho, desde os primeiros sintomas até ao clímax ou crise e daí até à sua resolução, feliz ou fatal. Hipócrates introduziu assim a história clínica do paciente, uma descrição ou representação da história natural da doença - bem definida pela palavra antiga «patografia». Tais histórias são uma forma de história natural mas não nos dizem nada acerca do indivíduo e da sua história; não nos revelam nada acerca da pessoa e da sua experiência ao enfrentar a doença e lutar para sobreviver. Não há um «sujeito» numa história clínica curta. As histórias clínicas modernas aludem ao sujeito numa frase rápida («Uma fêmea albina trisómica de 21 anos») que tanto se pode aplicar a uma ratazana como a um ser humano. Para recolocar o sujeito humano no centro - o ser humano que sofre, que se aflige, que luta - é necessário aprofundar a história clínica até que ela se transforme numa narrativa ou conto. Só então teremos, para além do «o quê», um «quem», um ser real, um paciente que se relaciona com a doença - um paciente que se relaciona com o médico. »

Oliver Sacks, in O homem que confundiu a mulher com um chapéu (pág. 10)
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Spektrum em 06.abr.2017, 21:35:10
« Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. »

Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego"
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: imystp em 18.mai.2017, 22:43:34
'O amor é um veneno. Um doce veneno, sim, mas mata-te na mesma.' George R R Martin

Enviado do meu SM-G930F através de Tapatalk

Título: Re: Citações de livros
Enviado por: sleepy_heart em 08.nov.2017, 20:24:41
""Este mundo, não nos fatigaremos de o repetir, é uma comédia de enganos."  ("A jangada de Pedra" de José Saramago).
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: sleepy_heart em 18.nov.2017, 00:09:38
<<Os nossos camponeses aprenderam a arranjar flores, o nosso trabalhador mais modesto a prestar homenagem às rochas e às águas. No nosso linguajar usual falamos do homem com "falta de chá" quando este é insensível aos interesses sério-cómicos do drama pessoal. Estigmatizamos, igualmente, o esteta indomado que, negligenciando as tragédias mundanas, se excede na maré das emoções livres, como alguém com "excesso de chá".>>

("O livro do chá" de Kakuzo Okakura).
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: سامانتا em 30.nov.2017, 21:09:15
"«Era o tipo de coisa em que Samantha via beleza - parquímetros guilhotinados, caixas de correio psoríticas, carros sem vidros e rodas, o facto de que, por trás do rosto aprumado que Nova Iorque mostrava ao mundo, nada estava de facto alinhado.»

[Cidade Em Chamas, Garth Risk Hallberg]
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: سامانتا em 10.fev.2018, 01:56:52
«I’ve always felt unclaimed. This is a story of the ways I created a territory, something more than just an archipelago of identities, something that could steady me, somewhere that I belonged.»

- Carrie Brownstein em Hunger Makes Me a Modern Girl
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: rosemoon em 06.mai.2018, 11:15:27

nenhum amor escapa impune

"deixa-me perguntar se te
pareço tão assustado assim. Não
me sinto deslocado, talvez curioso, mas
nem surpreso. algo em ti me puxa
sempre ao sentimento, mesmo antes de
te conhecer, lembras-te, uma propensão para
te tratar bem, cuidar, vulnerabilizar os meus
modos, recusar admitir que também eu sou
capaz de crueldades quotidianas e
impunes. queria conversar contigo
sobre o nelson, que foi ver as coisas a
arder fotografando a própria
pele. queria falar-te da isabel e de como
choramos juntos, muito maricas, quando
nos correm mal estes amores ou, pior, a
nossa amizade. esta noite sonhei contigo e
achei graça dizer-te que cheirava mal
na nossa cama. que me incomodou a luz a entrar
pela persiana por fechar. que ouvi com dor o
orgasmo da vizinha de baixo

queria que soubesses que também eu
poderia ter ardido para o nelson
fotografar. queria que soubesses que
também poderia parar de chorar pela
isabel. queria que soubesses que o faria
exclusivamente
para arruinar o meu coração, se fosse a
tua vontade e com isso te deixasse em
paz. faria qualquer coisa, ainda que
quisesse morrer a seguir, faria qualquer coisa que,
por um instante, te pusesse
a pensar em mim "

valter hugo mãe, in 'contabilidade'
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: sleepy_heart em 05.jul.2018, 20:47:07
"Muitas pessoas são capazes de se perguntar se estão erradas, mas poucas conseguem dar mais um passo e admitir o que significaria de facto estarem. Isto porque o significado potencial por trás do nosso erro costuma ser doloroso. Não só põe em causa os nossos valores, como nos obriga a pensar como nos sentiríamos com um valor diferente e contraditório. Aristóteles escreveu «Ser capaz de entreter um pensamento sem o aceitar é sinal de uma mente instruída.» Ser capaz de analisar e avaliar valores diferentes sem necessariamente os adoptar é, talvez, a capacidade central necessária para mudarmos a nossa própria vida de maneira significativa."


(in: A arte subtil de saber dizer que se f*da" de Mark Manson.
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: sam_mukka em 06.jul.2018, 12:54:52
"lo-lee-ta, light of my life fire of my loins" [size=78%](Lolita)[/size]
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: sleepy_heart em 07.jun.2019, 22:29:38
   Shimamura encarava a coisa seriamente. Se pretendia ter apenas relações de amizade com ela era porque tinha razão para preferir ficar à beira, em vez de mergulhar a fundo.
   Mas por detrás de tudo isto agia uma espécie de encantamento, produzia-se uma soberania dominadora, bastante semelhante àquela que o havia fascinado em frente do espelho, com o seu fundo de noite, no comboio. É certo que Shimamura pressentia as complicações que uma ligação com uma jovem de condição tão equívoca podia arrastar; mas era sobretudo a uma espécie de irrealidade que ele cedia, a esta curiosa sensação de diáfana transparência que ela havia suscitado nele, tão próxima da poesia do estranho reflexo que tinha contemplado no espelho; (...)


   Este ballet, a que jamais assistira tornava-se para ele uma espécie de arte ideal, um sonho de um outro mundo (...). Para quê arriscar-se a presenciar realizações decepcionantes, enfrentar o ballet concretizado em espectáculo, se a sua imaginação lhe oferecia o espectáculo incomparável e infinito da dança sonhada?

"Terra de neve" de Yasunari Kawabata
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Lilium¥ em 12.jun.2019, 20:27:21
Este país (Portugal) preocupa-me, este país dói-me. E aflige-me a apatia, aflige-me a indiferença, aflige-me o egoísmo profundo em que esta sociedade vive. De vez em quando, como somos um povo de fogos de palha, ardemos muito, mas queimamos depressa.


Jornal de Letras, Artes e Ideias (1999)
José Saramago
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Lilium¥ em 24.jun.2019, 19:48:52

Viagem


"Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar.. .
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos.)
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura.
O que importa é partir, não é chegar."


Miguel Torga, Câmara Ardente
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: Sappho em 31.jul.2020, 02:52:18
Tenho errado como as pedras num charco
não acerto nem perto da margem onde me
deixei sentada a ser gente
Está tudo por baixo deste chão, destas formigas,
destas aberturas dos dentes
uma realidade demasiado existente, quase sonhada,
quase real
É por isso que me deito entre este peito e o sol
na minha cabeça e sou cisne ao contrário.
Não tenho nada a acrescentar, se os dias se
matam em círculo
e eu tenho de ir recta para alcançar um fim
e depois ser toda começo.

Não sou mulher que se encontre em metades
nem em pequenos e médios todos
prefiro ser só eu, só falésia absoluta
absoluta coisa nenhuma
Por isso preparo-me para ser digna fenda
em gloriosa cadeira de marquise,
empenhada solidão
Mas não desisto de acompanhar as horas
nem o destino que me vem à boca,
nem as plantas que mato de amor
se o mistério de tudo latejante nas paredes
é o interior que me faz acordada.



ver no escuro, Cláudia R. Sampaio
Título: Re: Citações de livros
Enviado por: MónicaCarvalhoCasas em 10.jun.2021, 21:51:02
"Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio." (pág. 40)

in Memória de Elefante (1979), António Lobo Antunes.