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Olá Visitante23.mai.2022, 16:27:17

Autor Tópico: A Arte do Estar Só - Anti-sociais  (Lida 33402 vezes)

 
A Arte do Estar Só - Anti-sociais
#20

Offline Chevalier_du_ciél

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Para mim o anti social é uma pessoa k dificilmente se dá a conheçer ao mundo e mantem um circulo restrito de amizades , de resto os anti sociais falam e etc até pk é necessário comunicar minimamente com outros seres humanos ::)
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    #21

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    Há coisas que não se definem e que ficam sempre por tentativas várias porque o ser humano, com sensações e pensamentos, não é um conjunto de palavras com um verbo no meio. Fica a tentativa:

    Creio que o termo arte não terá uma designação universal. Aliás tem-na, mas não é justo reduzir tudo o que esta expressa a uma designação própria que a limita em palavras. Se o termo evolui com a história, com o tempo e com a personalidade de cada um, também os conceitos se arrastarão no pensamento, tomando, assim, a arte uma forma sem forma, ilimitada. A 'arte de estar só' pode ser o prazer de não estar com os outros. A vontade de se afastar de tudo e todos e de não se prejudicar com os movimentos sociais. 'Arte' é talvez forma de nos encontrarmos e de sermos quem somos, é talvez até sinónimo disso e não um meio. Arte é arte.

    A anti-sociabilidade é um jogo. Um jogo que cresce dentro de nós. No meio comum, essa designação de se ser anti-social limita tudo o que o termo implica. Essa falha comum da sociabilidade é uma instância secundária do ser. Um erro para consigo que o impede de estar e conviver. Não é ser anti-social. É ter limites nele próprio. Falhas que deverá ultrapassar. Já no seu valor total será uma revolta, um desespero, uma desistência, talvez fobia. Algo. Algo da ordem pessoal e já quase que intrínseca ao ser.

    Será uma doença? Uma fase? Uma característica? Uma necessidade? Depende de cada um, mas todos temos um pouco desse 'nao querer estar com os outros'. A validade do termo dependerá do conceito e sobretudo do momento.
      Pertence ao fenómeno universal da natureza humana que o tétrico, o medonho e até o horrível brotem com irresistível beleza (Schiller)

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      #22

      Offline Azula

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      Oh Miau, tu fazes uma interpretação muito "tua" a tudo quanto é conceito e, sinceramente, eu prefiro universalizar conceitos (para buscar a compreensão) do que relativizá-los; enfim, o que estava tentar expressar é que "a arte de comer ervilhas ao lanche" nada tem a ver com a arte\ciência e, neste sentido, não concordo com o título do tópico, se arte é um tipo de conhecimento que obedece a determinados passos e é fundamentado na ciência etcetc. Não adiante ir mais por aqui, fui simples no que disse.

      Quanto à anti-sociabilidade ser um jogo...e uma necessidade, doença, fase característica, vontade...bom, uma coisa não pode ser tantas coisas não semelhantes ao mesmo tempo, nem depende do momento coisa nenhuma, depende da tua perspectiva, se vês arte em comer ervilhas ao lanche, aí sim, talvez a antisociabilidade seja isso tudo e mais o que quiseres. Agora se chamas arte ao tal processo de conhecimento que decorre segundo fases e blablabla dizes que a antisociabilidade é aquilo que a Sociologia\Psicologia te disser que é. Porque se baseiam em mais que um jogo de palavras para definir conceitos.

      Então eu que não quero dar-me com pessoas, sou antisocial, mas a Fulana que tem fobia de pessoas, também é antisocial?  lol Graus de antisociabilidade subjectiva lol
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        #23

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        Acho que, como disse, cada um parte da sua designação de arte. Aliás arte é arte precisamente porque é subjectiva. Se não fosse, seria tão limitada que todo o seu valor seria, comparativamente ao actual, nulo. Falar em ciência é parte de ti e então respeito, mas parece-me que o mundo cientifico pode ou não ter valor, dependendo das circunstâncias e até de quem o estuda, até porque é metódico e objectivo mas tudo o que o descobre e prolonga limita o conhecimento com as tais 'universalidades' e até mesmo falsas-descobertas.

        Acho que brincar com as palavras ou simplesmente dar uma designação mais própria a algo deva ser válido. Aceito que aceites ou não, aliás seria tudo tão mais limitado se fossemos todos iguais. Todavia, foi um manifesto e acho que arte é isso mesmo.

        Quando apresentei essas hipóteses não disse que seria tudo isso ao mesmo tempo, aliás, podendo sê-lo, a tendência é para que não seja. Porque teremos nós de não poder ser um complexo de coisas? E que usam então essas ciências? Parece-te então que limitar as coisas é mais válido... Em parte concordo, mas discordo quando me dizes que a minha designação terá sido pouco mais que um jogo de palavras. Foi o que eu acho e o que eu acho transmito em palavras. Aliás, parte até talvez dessas duas áreas, mas não será feito somente delas.

        Relativamente à anti-sociabilidade subjectiva, compreendo onde queres chegar e concordo. Daí as definições do senso-comum nos induzirem em erro.
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          #24

          Offline Azula

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          ok, vamos por passos para me compreenderes melhor:

          1- Dá-me a tua definição de arte e explica-me como a antisociabilidade ou o "estar só" se encaixam nessa mesma definição. É que a tua definição de arte-é-o-que-eu-quiser, não me diz muito, eu não faço arte quando estou na sanita nem quando pontapeio uma pessoa  lol

          2- Explica-me como é que brincar com as palavras (sem ser por comparações) é benéfico num debate e esclarecimento de conceitos e define-me "designação mais própria". (deves querer dizer mais pessoal, não?)

          3- Se falas de tendência, estás a admitir que sim, que há uma possibilidade de a antisociabilidade compreender toda a panóplia de explicações\origens que mencionaste: vontade, necessidade, fase, característica, doença. O que estás a dizer, portanto, é que não existe uma antisociabilidade, existem 3500 para a situação que mais nos convém?

          Mas nós somos um complexo de coisas, alright, não somos é um complexo de coisas dispares e incongruentes, de opostos, isso é o que temos por "patológico", percebes isto? Eu não limito as coisas, simplesmente não meto tudo no mesmo saco, chamo as coisas pelo seu nome. Se NÃO ME APETECE estar com pessoas, não me apetece estar com pessoas: sou distante, tímida, desinteressada; mas se sofro na presença de pessoas e me vejo INCAPAZ de me relacionar com elas, sou antisocial. got it?
          « Última modificação: 15 de Abril de 2007 por Azula »
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            #25

            Offline Loretta

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            Quanto à bipolaridade... é tão habitualmente considerada uma doença que as pessoas se esquecem que perante uma diferença de comportamentos consciente a pessoa é submetida para um nível de aprendizagem sobre ela mesmo sem igual

            Andei tanto tempo a remoer se devia põr a boca no trombone e chatear-me ou ficar quieta no meu canto. Infelizmente a primeira venceu.

            Sem ofensa, claramente não sabes o que é ser bipolar. Não sintas o que quer que seja relativamente próximo a desejar sê-lo. Ninguém o merece.

            E desculpa lá mas se não a consideras uma doença estás bastante mal informado, e inadvertidamente, é certo, mas ainda assim a fazê-lo, a menosprezar o sofrimento de quem o sente na pele.

            (eu tecnicamente não sou bipolar, mas tenho antecedentes e ando a seguir uma linha de tratamento muito paralela. Provavelmente terei de fazer Risperdal, em dose mínima, para o resto da vida. E eu ralada, o que quero é andar bem, já não quero saber se é com medicamentos ou sem eles. Só nos podemos dar ao luxo de pensar assim se de facto deles não precisarmos)
              Podia mandar uma quote qualquer daquelas rulantes de bash dot org, mas assim mudaria de signature como quem muda de camisa...

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              #26

              Offline Lupin

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              Loretta... sabias que a bipolaridade pode advir simplesmente de um vicio chamado alcool?

              Realmente vejo que a dificuldade das pessoas está na propria etimologia das palavras e não tanto na sua falta de capacidade de aplicação das mesmas...

              Sei perfeitamente o que é ser bipolar pois eu geralmente quando não possuo qualquer tipo de informação sobre algo, o que não foi o caso, eu informo-me não levantando assim a possibilidade de aplicar mal termos ou definiçoes.

              Realmente não considero qualquer "doença psicológica" como doença que tantos defendem ser pois de facto já me foi diagnosticada uma depressão e saí dela por completo por mim mesmo pois ao fim de um mês estava "curado"... não me parece que existam milagres!

              Quanto ao caso mais específico de bipolaridade... não me parece que alterações de personalidade e humor sejam motivos para drogar alguem simplesmente porque alguem pensa que será melhor, afinal é o método utilizado em qualquer doença de foro psiquiatrico não é?

              Como disse à pouco num debate com uma pessoa... não acredito em anjos do pensamento que descem à terra para alterar o modo de pensar de alguem só por acharem que os compreendem, muito menos anjos das drogas que injectam os "doentes" em sonos profundos de consciência como se de um computador prestes a ser formatado se tratasse.

              Tenho muito respeito para com qualquer decisão de um psicologo ou psiquiatra mas de facto julgo que qualquer pessoa consegue ser auto-imune no pensamento, personalidade e estados psicologicos por muito dilacerada que possa estar no pensamento... "o ser humano tende naturalmente a saber" e, consequentemente, deve aprender com as situações em que se encontra para se erguer dessas mesmas situações!

              Basicamente sim, o que eu digo é que qualquer doença psicologica pode ser tratada através de uma adaptação do Ser à realidade!
                "When we close our eyes and open them again it will be possible to see, to build and create a diffrent world, fairer and freer"

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                #27

                Offline Azula

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                Tenho muito respeito para com qualquer decisão de um psicologo ou psiquiatra mas de facto julgo que qualquer pessoa consegue ser auto-imune no pensamento, personalidade e estados psicologicos por muito dilacerada que possa estar no pensamento... "o ser humano tende naturalmente a saber" e, consequentemente, deve aprender com as situações em que se encontra para se erguer dessas mesmas situações!

                Basicamente sim, o que eu digo é que qualquer doença psicologica pode ser tratada através de uma adaptação do Ser à realidade!

                Kelly e a Teoria dos constructos pessoais, adoro  ::) No entanto duvido da sua eficácia em alguns disturbios, claro. Quanto á bipolaridade não tenho bases suficientes para opinar...contudo sei que há muita discórdia acerca da noção de "bipolaridade" no seio dos psicólogos  :-X
                  Acreditas no trabalho da rede ex aequo e queres participar activamente na vida da associação? Torna-te sóci@! ;-) Consulta http://www.rea.pt/inscricao.htm

                  A finalidade humana deveria ser a de amar a Vida - todos os problemas se extinguiriam se admitíssemos esta realidade.

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                  #28

                  Offline Lupin

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                  É verdade Azula e como já referi respeito muito todas as opiniões pois como alguem diria "somos pensantes logo errantes" =)
                  É o meu ponto de vista relativamente a este conceito de "Doenças Psicologicas"... não quer dizer de modo algum que esteja correcto mas para isso remete a existência de um Forum, o debate =)
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                    #29

                    Offline Cátia.

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                    Basicamente sim, o que eu digo é que qualquer doença psicologica pode ser tratada através de uma adaptação do Ser à realidade!

                    podes.m explicar isto mlhr, sff?
                      Oh, it makes none...

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                      #30

                      Offline Lupin

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                      Claro Catia
                      Basicamente eu descrevi todo esse processo ao longo do comentario feito anteriormente mas vou tentar ser mais explicito =)

                      Uma doença psicologica é algo que remete para uma falta de bem-estar interior em que o proprio Ser não consegue encontrar respostas para as perguntas perante as quais se depara... esta é a definição geral de depressão... Incompreensão, incapacidade de "pensar" pois não conseguem solucionar problemas que não são problemas de verdade, apenas uma valorização desmedida de perguntas existenciais as quais todos nós temos, apenas somos superficiais às mesmas.

                      Outras doenças psicologicas:

                      Anorexias

                      Claustrofobias

                      Histerias

                      Bulimias

                      Neuroses

                      Síndromes Maníacas (bipolaridade)

                      Xenofobia

                      ...

                      são todas elas alterações de comportamento tendo cada uma delas o seu agente causador... qualquer um desses agentes é, como a mesma doença, psicologico, logo se a pessoa em questão estiver perante uma situação tal que sabe que lhe pode provocar algo de mal cabe-lhe a ela agir sobre essa causa, ou mesmo sobre o mal se este ja se encontrar desenvolvido...

                      Anorexia... uma pessoa convence-se que está sempre gorda... por mais que emagreça está gorda... ela sabe olhar para uma balança mas não sabe consciencializar-se que de facto tem que parar com aquilo pois ja pesa menos que o normal mas realmente ela sabe que tem um problema... não se sente bem com ela propria!
                      Uma pessoa com anorexia é em geral uma pessoa com falta de auto-estima... "como é que posso ser melhor e gostar mais de mim?" é o que ela se questiona? Essencialmente questiona-se de como podem os outros gostar mais dela...

                      A realidade não é de Seres perfeitos mas de Seres que para mais ou para menos têm de se conformar pois terão sempre o direito a decidir em qualquer situação e não se tratará sempre de uma escolha boa em oposição a uma menos boa... por vezes as pessoas têm que decidir por elas proprias quais os melhores caminhos mesmo que isso englobe escolher um mau caminho no dia de hoje mas quanto mais o Ser se conformar com a inexistência da perfeição mais proximo dela estará!
                      « Última modificação: 15 de Abril de 2007 por Lupin »
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                        #31

                        Indya

                        • Visitante
                        Tenho que ser sincero Indya e acredita que sou extremamente crítico...
                        Não encontrei nada que pudesse apontar contra o teu texto... eu concordo absolutamente contigo!

                        Como diria alguem... "Se não existissem coisas menos boas a valeria não valería a pena pois são os desafios da mesma que nos fazem evoluir no tempo"

                        Quanto à bipolaridade... é tão habitualmente considerada uma doença que as pessoas se esquecem que perante uma diferença de comportamentos consciente a pessoa é submetida para um nível de aprendizagem sobre ela mesmo sem igual

                        Eu gosto tambem de me questionar sobre coisas para as quais não possuo resposta, ao fazê-lo acabo sempre por aprofundar o meu conhecimento não só nessa área mas tambem noutras o que é muito bom =)

                        Adorei o teu comentário Indya =)

                        Lupin

                        Obrigada Lupin =)

                        Tenho lido alguns posts teus e gosto de muitos factos que tu expões,sobre diversos temas!!
                        Keep going!!

                        Um beijo =)

                          A Arte do Estar Só - Anti-sociais
                          #32

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                          Azula,

                          Por partes então:

                          Pedes que partilhe a minha definição de arte. Como disse, é um conceito que dependerá de pessoa para pessoa e de época para época, acompanhando, assim, uma evolução pessoal e social. Arte poderá ser a busca do belo na ordem em que o artista o vê, bem como a expressão do ser, estar e sentir. Arte, para mim, será essencialmente uma brincadeira, um molde de algo que satisfaz e que completa, não deixando de ser um objecto de criação. 

                          Permite-me, Azula, quando pontapeias alguém, estás na ordem das artes marciais. Estás a aplicar uma técnica corporal de defesa, que, bem sabes, melhor ou pior desenvolvida, se trata de uma arte. Algo que se trabalha, que se tem em si como paixão, por exemplo, e que se adequa a situações: poderá ser de luta, de representação, individual, colectiva, etc. Quanto a ‘quando estás na sanita’, tu não farás, mas se calhar também isso será um vínculo de arte para alguém. Porque será algo que a apraz ou até que a desafia.

                          Em seguida, brincar com palavras. Cada um tem a sua maneira de falar. Há que saber o valor das palavras, simples ou metafórico, caso contrário a maioria seria pragmática e os pobres que não fossem estavam condenados. Quanto às definições universais, quem me diz que estão correctas e quem te diz que concordo com elas para as expor? Por fim, ainda neste mesmo ponto, "designação mais própria", designação mais concreta, universal, como lhe queiras chamar.

                          Indo directo à questão agora, a anti-sociabilidade é uma maneira de estar ou de ser. De estar parte de quem se molda socialmente e do pormenor de não conseguir estar com alguém por problemas vários, desde timidez a preconceitos intrapessoais. É uma hipérbole e um erro social, como a grande maioria das acusações de anti-sociabilidade. Todo esse conjunto que apresentei (vontade, necessidade, fase, you name it) são claros exemplos disso. Já a maneira de ser é algo intrínseco. Se não se está porque parte de factores pessoais e não de factores secundários, poderá ser até considerado uma patologia por muitos, mas seja o que for, será sempre a verdadeira anti-sociabilidade. 

                          Por fim e sem mais rodeios, dizes ‘mas nós somos um complexo de coisas, alright, não somos é um complexo de coisas dispares e incongruentes, de opostos, isso é o que temos por "patológico", percebes isto?’. Não. Afirmas portanto que sermos opostos de nós para nós equivale a patologia? Eu considero isso exactamente a realidade humana. Daí toda a sua complexidade. E se caso viste coisas no mesmo saco, explica-me onde.
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                            Arte poderá ser a busca do belo na ordem em que o artista o vê, bem como a expressão do ser, estar e sentir. Arte, para mim, será essencialmente uma brincadeira, um molde de algo que satisfaz e que completa, não deixando de ser um objecto de criação.

                            Sure, mas continuas sem me responder. O que eu quero saber é onde entra a antisociabilidade nesse teu conceito de arte, remember, estás a defender o título deste tópico. Eu ajudo: Antisociabilidade- movimento artistico caracterizado pelo quê? Que consiste em brincar com o quê? Que tem como objectivo o belo? Hein? What? Vá, explica aqui à small  minded o que queres finalmente dizer.

                            Citação de: Miau_Elfico
                            Permite-me, Azula, quando pontapeias alguém, estás na ordem das artes marciais. Estás a aplicar uma técnica corporal de defesa, que, bem sabes, melhor ou pior desenvolvida, se trata de uma arte. Algo que se trabalha, que se tem em si como paixão, por exemplo, e que se adequa a situações: poderá ser de luta, de representação, individual, colectiva, etc.

                            Sim, escrevi de uma maneira que poderia dar azo a essa interpretação mas que não serviu o meu intuito-fazer-te enunciar as caracteristicas de uma arte- , por isso, vou dar outro exemplo: Para fazer sapatos eu preciso de solas, corda, pano, whathever. Aplico-lhes uma determinada configuração, seguindo passos e usando da técnica, e obtenho um sapato. Um sapato é bonito e é útil (não é feio nem inútil nem me é prejudicial [só se for salto alto…]). Eu quero que me descrevas a "arte de estar só" (se é arte): que passos\método segue, que técnicas utiliza e obviamente, o objectivo e se me traz benefícios.

                            Citação de: Miau_Elfico
                            Em seguida, brincar com palavras. Cada um tem a sua maneira de falar. Há que saber o valor das palavras, simples ou metafórico, caso contrário a maioria seria pragmática e os pobres que não fossem estavam condenados. Quanto às definições universais, quem me diz que estão correctas e quem te diz que concordo com elas para as expor? Por fim, ainda neste mesmo ponto, "designação mais própria", designação mais concreta, universal, como lhe queiras chamar.

                            Claro, tenho presente que podemos discursar de maneira "simples" ou "metafórica", a pergunta que te fiz foi qual é a melhor maneira de clarificar um conceito, pela via simples ou metafórica (eu prefiro a mais directa) mas ok, passando à frente. Universal não quer dizer colectivo- um conceito é universal porque engloba em si a extensão! Assim, mesas são objectos com pernas que servem para apoiarmos algo etcetc. Se tenho um objecto que serve para beber água, não é uma mesa, é um copo. Ainda, se me sinto triste, não me sinto alegre, se tenho calor, não tenho frio, se sou Azula, não sou Vermelha. O que dizes de uma pessoa que tem frio e calor ao mesmo tempo? Que se sente triste e alegra ao mesmo tempo? Que é Azula e Vermelha ao mesmo tempo? A mim parece-me que tal pessoa padece de determinado problema, quem sabe, de uma doença, ou não vês nesta alusão aos "opostos" carácter patológico e achas perfeitamente normal isto acontecer porque "nós humanos somos muito complexos"? Isto é meter tudo no mesmo saco, é dizer: se temos 3500 sentimentos, como somos complexos e humanos, podemos perfeitamente senti-los a todos ao mesmo tempo e considerar-nos, ainda, saudáveis". Got it ?
                            Hey, ok, não concordas que os conceitos devem ser dotados de universalidade mas procuras uma designação mais Universal? Fiquei confusa, queres explicar?

                            Citação de: Miau_Elfico
                            Indo directo à questão agora, a anti-sociabilidade é uma maneira de estar ou de ser. De estar parte de quem se molda socialmente e do pormenor de não conseguir estar com alguém por problemas vários, desde timidez a preconceitos intrapessoais. É uma hipérbole e um erro social, como a grande maioria das acusações de anti-sociabilidade. Todo esse conjunto que apresentei (vontade, necessidade, fase, you name it) são claros exemplos disso. Já a maneira de ser é algo intrínseco. Se não se está porque parte de factores pessoais e não de factores secundários, poderá ser até considerado uma patologia por muitos, mas seja o que for, será sempre a verdadeira anti-sociabilidade.
                             

                            O que é a verdadeira antisociabilidade? Ai, antes a antisociabilidade era um jogo, agora é uma maneira de ser? Daqui a pouco passa a "filosofia de vida" (adoro)…hum, então a antisociabilidade é maneira de estar mas pode também ser derivada de problemas ou é uma maneira de estar que deriva de problemas? (eu chamo doença a isto). Gostava mesmo que fosses directo, é que a cada post teu, o número de significantes de "antisociabilidade" cresce. E podia crescer, i guess, se não fossem tão dispares. As mesas podem ser azuis, altas, ásperas, redondas; mas se não forem vermelhas, baixas, lisas e quadradas. Já a antisociabilidade…wow, pode ser doença e maneira de estar ao mesmo tempo, uma fase, uma caracteristica intrinseca...(e assim temos já 6 tipos de antisociabilidade). Exemplo-pergunta-de-retórica: Fulano tem agorafobia. Fulano tem um distúrbio? Fulano segue uma maneira particular de estar\"ver a vida"? Fulano passa por uma fase? Hum, Vou precisar da tua definição de "maneira de estar" e da tua definição de "doença", sff.

                            Citação de: Miau_Elfico
                            Por fim e sem mais rodeios, dizes ‘mas nós somos um complexo de coisas, alright, não somos é um complexo de coisas dispares e incongruentes, de opostos, isso é o que temos por "patológico", percebes isto?’. Não. Afirmas portanto que sermos opostos de nós para nós equivale a patologia? Eu considero isso exactamente a realidade humana. Daí toda a sua complexidade. E se caso viste coisas no mesmo saco, explica-me onde.

                            Já respondi a isto, em parte, mas mais:

                            (Que significa "opostos de nós para nós"?) Caham, na minha pergunta: conter opostos em nós SIMULTANEAMENTE é saudável? Que é a realidade humana, isso toda a gente sabe! É real ter uma doença! É real sentir frio e sentir calor. Não ponho em causa REALIDADE, ponho em causa SAÚDE e DOENÇA. Ou patológico quer dizer, na tua perspectiva, irreal??? Mas eu reformulo: "mas nós somos um complexo de coisas, alright, mas quanto contemos em nós coisas dispares e incongruentes, é porque estamos doentes\com problemas, disturbios etcetc".
                              Acreditas no trabalho da rede ex aequo e queres participar activamente na vida da associação? Torna-te sóci@! ;-) Consulta http://www.rea.pt/inscricao.htm

                              A finalidade humana deveria ser a de amar a Vida - todos os problemas se extinguiriam se admitíssemos esta realidade.

                              A Arte do Estar Só - Anti-sociais
                              #34

                              Offline Lupin

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                              • Immagination set us free
                              Tenho que ser sincero... tenho aprendido umas coisitas com este vosso debate =)
                                "When we close our eyes and open them again it will be possible to see, to build and create a diffrent world, fairer and freer"

                                A Arte do Estar Só - Anti-sociais
                                #35

                                Offline Thumbnail

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                                  • Bravis esse laboro, obscuro fio
                                Sure, mas continuas sem me responder. O que eu quero saber é onde entra a antisociabilidade nesse teu conceito de arte, remember, estás a defender o título deste tópico. Eu ajudo: Antisociabilidade- movimento artistico caracterizado pelo quê? Que consiste em brincar com o quê? Que tem como objectivo o belo? Hein? What? Vá, explica aqui à small  minded o que queres finalmente dizer.

                                Primeiro, Azula, small minded? Estarás tu, sem qualquer má vontade, a dar um valor crítico à discussão? Não entro por essas vias. Sinto-nos em pé de igualdade, mesmo que possamos ser bem diferentes!
                                Respondendo pela enésima vez (e provavelmente não a última), arte é o encontro de nós próprios porque é um molde natural do que somos e toda essa vertente, esse movimento, para mim, mesmo longe dos padrões sociais do momento (e até do passado) são válidos. Não um movimento estruturado, escrito, mas intrínseco a nós. 'A maior arte humana é aquela que se infiltra no abstracto, sobretudo quando é devidamente relevante ou importante num dado momento'. A anti-sociabilidade faz parte disso. Uns estão porque querem, outros porque é assim, outros porque julgam mal o termo. A arte, claro está, numa brincadeira de palavras que me apontas e que assim é, será uma forma de o descrever. O belo? O prazer; a brincadeira? Ser;A característica? nós próprios.
                                Resposta simples: A antisociabilidade é um estado temporário, patológico ou provocado. A arte é, para mim, um todo pessoal da ordem do sentir e do fazer. Na componente humana, isso para mim é ser, portanto posso jogar com as coisas e dizer que é arte.

                                Um sapato é bonito e é útil (não é feio nem inútil nem me é prejudicial [só se for salto alto…]). Eu quero que me descrevas a "arte de estar só" (se é arte): que passos\método segue, que técnicas utiliza e obviamente, o objectivo e se me traz benefícios.

                                (O sapato é resultado da arte. A arte do fazer? A arte do sapateiro? Até da arte da beleza vestuária exigida por cada um no dia-a-dia? Arte.).
                                Passos e métodos pessoais, bem como técnicas do próprio ser e da sua experiência; o objectivo, estar bem (na eventualidade do isolamento do que o 'bem' significará para os outros e não para nós) e os benefícios obviamente o de ir d'encontro a si.
                                Dir-me-ás que discordas? Os verdadeiros anti-sociais talvez não o façam. Dir-me-ás que não é arte? Será para ti o que queiras, pois é precisamente isso que a define. Dir-me-ás que não tem fundamento e está a ser provocado? Todo o conhecimento o é.   

                                O que dizes de uma pessoa que tem frio e calor ao mesmo tempo? Que se sente triste e alegra ao mesmo tempo? Que é Azula e Vermelha ao mesmo tempo? A mim parece-me que tal pessoa padece de determinado problema, quem sabe, de uma doença, ou não vês nesta alusão aos "opostos" carácter patológico e achas perfeitamente normal isto acontecer porque "nós humanos somos muito complexos"? Isto é meter tudo no mesmo saco, é dizer: se temos 3500 sentimentos, como somos complexos e humanos, podemos perfeitamente senti-los a todos ao mesmo tempo e considerar-nos, ainda, saudáveis". Got it ?
                                Hey, ok, não concordas que os conceitos devem ser dotados de universalidade mas procuras uma designação mais Universal? Fiquei confusa, queres explicar?

                                Explico, sim, procuro todas as respostas possíveis mesmo que nunca chegue à sua totalidade de tantas que são. A componente universal é também um conjunto de teorias, não as refuto e mesmo que o faça, primeiro tento considerá-las. Disse 'simplesmente dar uma designação mais própria a algo deva ser válido', avalia como bem entenderes.

                                Essas pessoas, a nível físico, talvez tenham distúrbios, pois ter calor e frio ao mesmo tempo está para ter e não ter alguma doença. O nosso físico é um todo também ele muito rico, mas cuja complexidade é limitadissima quanto ao nosso psicológico. Neste, há casos e casos. Uns em que poderá ser uma patologia, outros em que não. Chorar e rir? Pode ser um choque de emoções, qual o ser humano que não as tem, bem como rir até mais não poder e desatar a chorar em seguida poderá ser esse choque. É difícil dizer que o ser humano é equilibrado porque não alcançando certamente o topo da infelicidade e tal não ser irreversível, também não alcançará o termo oposto. Portanto é como que um vaivém de informações/emoções. O oposto emocional, psíquico, comportamental, pode ser uma mão cheia de situações e, de certo, que a tua área te explicará isso, mesmo nos limites que lhe advêm.   

                                O que é a verdadeira antisociabilidade? Ai, antes a antisociabilidade era um jogo, agora é uma maneira de ser? Daqui a pouco passa a "filosofia de vida" (adoro)…hum, então a antisociabilidade é maneira de estar mas pode também ser derivada de problemas ou é uma maneira de estar que deriva de problemas? (eu chamo doença a isto). Gostava mesmo que fosses directo, é que a cada post teu, o número de significantes de "antisociabilidade" cresce. E podia crescer, i guess, se não fossem tão dispares. As mesas podem ser azuis, altas, ásperas, redondas; mas se não forem vermelhas, baixas, lisas e quadradas. Já a antisociabilidade…wow, pode ser doença e maneira de estar ao mesmo tempo, uma fase, uma caracteristica intrinseca...(e assim temos já 6 tipos de antisociabilidade). Exemplo-pergunta-de-retórica: Fulano tem agorafobia. Fulano tem um distúrbio? Fulano segue uma maneira particular de estar\"ver a vida"? Fulano passa por uma fase? Hum, Vou precisar da tua definição de "maneira de estar" e da tua definição de "doença", sff.

                                Ganháste-me aqui e aqui admito o meu erro, a minha falha: as palavras. Perco-me nela como poucos farão. Mais, limito o meu pensamento duma forma abrupta de cada vez que o expresso. Facto que admito porque o sei real.
                                Respondendo, Uma definição psicológica é um risco. As origns de tal situação, a sua evolução e até a própria assimilação e relacionamento do eu para com esse facto podem ser de ordens variadíssimas. É esse o busílis no meio da complexidade do 'estar só' ou da anti-sociabilidade, nos vários patamares que esta confere.
                                __

                                O oposto? Uma vez mais é um complemento, o tão dito agora 'q.b.'.
                                  Pertence ao fenómeno universal da natureza humana que o tétrico, o medonho e até o horrível brotem com irresistível beleza (Schiller)

                                  A Arte do Estar Só - Anti-sociais
                                  #36

                                  Offline Azula

                                  • *****
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                                  Citação de: Miau_Elfico
                                  A anti-sociabilidade faz parte disso. Uns estão porque querem, outros porque é assim, outros porque julgam mal o termo. A arte, claro está, numa brincadeira de palavras que me apontas e que assim é, será uma forma de o descrever. O belo? O prazer; a brincadeira? Ser;A característica? nós próprios.
                                  Resposta simples: A antisociabilidade é um estado temporário, patológico ou provocado. A arte é, para mim, um todo pessoal da ordem do sentir e do fazer. Na componente humana, isso para mim é ser, portanto posso jogar com as coisas e dizer que é arte.

                                  Desculpa, usei da ironia porque estou a ter o cabo dos trabalhos para descortinar os teus jogos de palavras. Prosseguindo. Explica melhor “molde natural do que somos” por favor. Ao contrário de ti, eu acho que a arte é um movimento estruturado, sim porque, como te disse e tenho mostrado, ela segue passos. Quando me refiro a arte, refiro-me a ciência, não sei se já percebeste isso. O outro significado de arte, para além deste, refere-se à actividade exclusivamente humana que pretende configurar as experiências de ordem sensível e estética por que passamos, sendo definida como todo o objecto físico e espiritual produzido por humanos e que traduz uma interpretação da realidade. Assim, o que tenho vindo a defender é que a antisociabilidade nem é ciência nem é arte, e tu próprio te contradizes ao afirmar que sim, a antisociabilidade é arte porque é uma fase, característica, patologia, necessidade, vontade.

                                   O que consigo descortinar da tua brincadeira de palavras (ex.: “arte é um todo pessoal da ordem do sentir e do fazer”) é isto: que a antisociabilidade é arte porque joga com sentimentos humanos (e assim, tudo o que inclui sentimentos humanos, como o acto de amar, de ir à wc e de secar o cabelo, é arte). Diz-me se assim não for e, por favor, não incluas mais significados e sê directo. Já descreveste a arte enquanto brincadeira e busca do belo, eu volto a perguntar, pois não foste claro na conexão entre arte e antisociabilidade: como é que eu busco o belo pela antisociabilidade, porquê, e em que consiste ser antisocial (já agora)?

                                  Citação de: Miau_Elfico
                                  (O sapato é resultado da arte. A arte do fazer? A arte do sapateiro? Até da arte da beleza vestuária exigida por cada um no dia-a-dia? Arte.).
                                  Passos e métodos pessoais, bem como técnicas do próprio ser e da sua experiência; o objectivo, estar bem (na eventualidade do isolamento do que o 'bem' significará para os outros e não para nós) e os benefícios obviamente o de ir d'encontro a si.
                                  Dir-me-ás que discordas? Os verdadeiros anti-sociais talvez não o façam. Dir-me-ás que não é arte? Será para ti o que queiras, pois é precisamente isso que a define. Dir-me-ás que não tem fundamento e está a ser provocado? Todo o conhecimento o é.   

                                  O sapato é resultado da arte de fazer sapatos do sapateiro….sim. e o sapateiro faz sapatos porque aprendeu a fazê-los, usando técnicas, meios e conhecimentos específicos, com o intuito de calças as pessoas e de os vender. O pintor executa a arte da pintura, faz quadros e, para isso, estudou geometria e desenho e nas suas pinturas TRANSMITE-NOS a sua interpretação da realidade; o músico estudou composição e nas suas músicas transmite-nos alegria, tristeza, raiva, amor e, se incluir letras, também a sua interpretação de uma dada realidade. O antisocial estudou? Transmite-nos o quê? Tem o objectivo de? Eu estou a dar-te exemplos palpáveis, só quero o mesmo em troca, objectivamente e sem rodeios. Mais uma vez, em que consiste a arte do antisocial?

                                  Enuncias um objectivo do individuo ao optar por uma conduta antisocial: estar bem. E esse indivíduo está bem? É feliz sendo antisocial? Vamos aqui decompor o vocábulo antisocial? O ser humano é um ser gregário. O que me podes dizer é que: ”ah! Eu, Francisco Jaquim Manel, quero inspiração e por isso vou tornar-me num eremita das estepes, sim! Vou afastar-me do mundo e procurar o que realmente sou! Virarei costas a todos e farei uma arte mais pura!” Claro que sim, o distanciamento pode ser muito frutuito, mas há que voltar à cidade para vender arte…porquê? Porque a arte tem um objectivo, é para ser mostrada! Mas pronto, assim, o Manel nunca disse que ia cumprir a arte do eremitismo (isso não existe!), o que ele disse é que se ia afastar para fazer arte, sei lá, sapatos inovadores. Isto é bem diferente de dizer: “Ah…eu, Ana Gertrudes vou tornar-me antisocial, adoro a antisociabilidade e quero mesmo fazer antisociabilidade” e depois eu pergunto: “porquê?” e a Ana Gertrudes responde: para fazer arte! Para fazer a arte da antisociabilidade! Ao que eu pergunto: “mas o que é isso, afinal?” e ela fica calada porque não sabe, ou então dá uma resposta tipo Pòlo: é a arte das coisas humanas infinitas, é a arte maior de todas!” que é o tipo de resposta que me andas a dar, Miau.

                                  O que tu queres dizer é que através da antisociabilidade podemos fazer arte, correcto? Vês diferença nos exemplos que dei?
                                  Sendo este o caso- fazer arte através da antisociabilidade- claro que podes, podes ser um antisocial que esculpe em madeira e que depois envia as esculturas por correio aos seus compradores, na boa, mas não deixas de ter um disturbio! Ou por seres um antisocial fazedor de esculturas (arte) deixas de ter um disturbio e passas a ser antes um artista da antisociabilidade?

                                  “será para ti o que queiras, pois é isso precisamente o que a define”? creio que te referes à arte e se fosse só à arte não teria problemas de maior…mas estás também a referir-te à antisociabilidade- olha o ridiculo em que cai a tua afirmação: “a antisociabilidade será para ti o que queiras, pois é perfeitamente isso que a define”!!! então agora a antisociabilidade é o que EU quiser! Eu, Azula, posso curar a antisociabilidade com atarax porque, na realidade, a antisociabilidade é uma coisa qualquer, é uma constipação!

                                  Citação de: Miau_Elfico
                                  Explico, sim, procuro todas as respostas possíveis mesmo que nunca chegue à sua totalidade de tantas que são. A componente universal é também um conjunto de teorias, não as refuto e mesmo que o faça, primeiro tento considerá-las. Disse 'simplesmente dar uma designação mais própria a algo deva ser válido', avalia como bem entenderes.
                                  Essas pessoas, a nível físico, talvez tenham distúrbios, pois ter calor e frio ao mesmo tempo está para ter e não ter alguma doença. O nosso físico é um todo também ele muito rico, mas cuja complexidade é limitadissima quanto ao nosso psicológico. Neste, há casos e casos. Uns em que poderá ser uma patologia, outros em que não. Chorar e rir? Pode ser um choque de emoções, qual o ser humano que não as tem, bem como rir até mais não poder e desatar a chorar em seguida poderá ser esse choque. É difícil dizer que o ser humano é equilibrado porque não alcançando certamente o topo da infelicidade e tal não ser irreversível, também não alcançará o termo oposto. Portanto é como que um vaivém de informações/emoções. O oposto emocional, psíquico, comportamental, pode ser uma mão cheia de situações e, de certo, que a tua área te explicará isso, mesmo nos limites que lhe advêm.   

                                  Bom, eu também acho que procuras todas as respostas possíveis, o teu problema é que incluis conceitos subjectivos, como se o conceito já não fosse a interpretação universalizada da nossa realidade, tu ainda lhe dás um cunho pessoal, e o teu discurso é assim, uma panóplia de interpretações e inconsistências! Eu estou a alertar-te para isso, Miau! Procura as respostas possíveis, mas articula-as, conjuga-as, não vás acrescentando coisas só por acrescentar…

                                  Ter calor e ter frio ao mesmo tempo é impossível, o que pode acontecer é ter frio e subitamente ter calor (isto excluindo mudanças nas condições atmosféricas, obviamente, se estamos a falar duma patologia) e se é impossível, torna a tua afirmação de “a antisociabilidade pode ser doença ou vontade, necessidade,fase, caracteristica” ainda mais inválida, porque uma pessoa não pode estar saudável e estar doente ao mesmo tempo, se está doente, falta-lhe saúde, se é saudável, não tem doença. Se ser antisocial é ser doente, não é ser saudável, não é ter necessidade nem vontade, nem se está a passar por uma fase. O que me podes dizer, de facto é que, devido ao problema X, a pessoa sente a necessidade de fazer isto e aquilo, tem vontade disto e daquilo e passa por uma fase assim e assado. Percebes agora? Se quiseres explicar a relevância das ideias compreendidas entre “é difícil dizer” até “lhe advêm” para o assunto, eu agradecia, não vejo a pertinência.

                                  Citação de: Miau_Elfico
                                  Ganháste-me aqui e aqui admito o meu erro, a minha falha: as palavras. Perco-me nela como poucos farão. Mais, limito o meu pensamento duma forma abrupta de cada vez que o expresso. Facto que admito porque o sei real.
                                  Respondendo, Uma definição psicológica é um risco. As origns de tal situação, a sua evolução e até a própria assimilação e relacionamento do eu para com esse facto podem ser de ordens variadíssimas. É esse o busílis no meio da complexidade do 'estar só' ou da anti-sociabilidade, nos vários patamares que esta confere.
                                  __
                                  O oposto? Uma vez mais é um complemento, o tão dito agora 'q.b.'.


                                  Não, Miau, eu não ganhei nada, não me deste nada, quanto muito, eu é que te dei a ti, mas já que mo permitiste, o teu problema não são as palavras, são as ideias, são os conceitos. Já te expliquei algures neste post o que critico no teu discurso.
                                  Mais uma vez, não percebo a relevância do teu último parágrafo na clarificação da tua ideia de antisociabilidade enquanto arte, mas compreendo que me estás a dizer que qualquer avaliação psicológica é um risco por ser tão subjectiva, concordo com isso; concordo que Sincrano pode ser diagnosticado de antisocial e ser apenas tímido. O que eu não concordo é que exista a ARTE DE SER ANTISOCIAL.
                                  « Última modificação: 17 de Abril de 2007 por Azula »
                                    Acreditas no trabalho da rede ex aequo e queres participar activamente na vida da associação? Torna-te sóci@! ;-) Consulta http://www.rea.pt/inscricao.htm

                                    A finalidade humana deveria ser a de amar a Vida - todos os problemas se extinguiriam se admitíssemos esta realidade.

                                    A Arte do Estar Só - Anti-sociais
                                    #37

                                    Offline Gharam

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                                    Existem pessoas que gostam de estar sozinhas, que se sentem bem assim. Mas, se a pessoa se sente bem, porque é que lhe é diagnosticado isso, como se fosse uma doença? Uma pessoa pode ser anti-social, não entrar em joguinhos e sentir-se bem com ela mesma assim sem mais ninguém, é perfeitamente natural. Mas não é arte nenhuma, é maneira de ser, simplesmente isso.
                                      "Quem nos deu asas para andar de rastos? Quem nos deu olhos para ver os astros - Sem nos dar braços para os alcançar?!... " - Florbela Espanca

                                      "Gostaria muito de quebrar certas ideias à martelada. Infelizmente nenhuma das ideias que me incomodam foi moldada em cerâmica"

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                                      Offline Coubert

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                                      Existem pessoas que gostam de estar sozinhas, que se sentem bem assim. Mas, se a pessoa se sente bem, porque é que lhe é diagnosticado isso, como se fosse uma doença? Uma pessoa pode ser anti-social, não entrar em joguinhos e sentir-se bem com ela mesma assim sem mais ninguém, é perfeitamente natural. Mas não é arte nenhuma, é maneira de ser, simplesmente isso.
                                      quando se diz "arte" é num sentido positivo. é exactamente pelas pessoas estarem bem e gostarem de assim estar. nem todas as pessoas se sentem bem quando estão sozinhas. quem está, tem uma "arte". a "arte de estar só". é nesse sentido.
                                        "vós deveis criticar impiedosamente tudo quanto existe. sim, criticar! sem receio que vos chamem demolidores. vós sois os demolidores do mal, vós sois os construtores do mundo ideal!"

                                        A Arte do Estar Só - Anti-sociais
                                        #39

                                        Offline Gharam

                                        • *****
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                                        Existem pessoas que gostam de estar sozinhas, que se sentem bem assim. Mas, se a pessoa se sente bem, porque é que lhe é diagnosticado isso, como se fosse uma doença? Uma pessoa pode ser anti-social, não entrar em joguinhos e sentir-se bem com ela mesma assim sem mais ninguém, é perfeitamente natural. Mas não é arte nenhuma, é maneira de ser, simplesmente isso.
                                        quando se diz "arte" é num sentido positivo. é exactamente pelas pessoas estarem bem e gostarem de assim estar. nem todas as pessoas se sentem bem quando estão sozinhas. quem está, tem uma "arte". a "arte de estar só". é nesse sentido.

                                        Ah, sim, por essa perspectiva percebo a razão da denominação.
                                          "Quem nos deu asas para andar de rastos? Quem nos deu olhos para ver os astros - Sem nos dar braços para os alcançar?!... " - Florbela Espanca

                                          "Gostaria muito de quebrar certas ideias à martelada. Infelizmente nenhuma das ideias que me incomodam foi moldada em cerâmica"

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