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Olá Visitante14.abr.2021, 12:12:45

Autor Tópico: Testemunhas de Jeová GLBT  (Lida 16668 vezes)

 
Testemunhas de Jeová GLBT
#20

What is in a name?

  • Visitante
Obrigado W.I.A.N  :)
Tenho mais duas perguntas.
Primeiro, se a passagem de testemunho em porta em porta é condição obrigatória a todos os membros e segundo, que tipo de resposta ou comportamentp deve um membro estar preparado para assumir perante, digamos, um casal homossexual que o receba em casa.

De nada!... :)

Bom, para as Testemunhas de Jeová baptizadas, sim, o testemunho de porta em porta é obrigatório. Não tanto o "serviço de campo" (como as TJ dizem) em si mas a pregação da Mensagem em todas as situações possíveis, no trabalho, na escola, na rua, etc., e sim, com um momento privilegiado na pregação de porta em porta, levar a "Palavra de Deus" às pessoas em vez de esperar que sejam elas a procurar a instituição. Para uns, um gesto louvável. Para outros, puro proselitismo e intromissão. Alguns indivíduos não-baptizados mas associados de modo mais profundo com as TJ também se podem tornar publicadores (pregadores) se assim desejarem e comprovarem ter um carácter recomendável para darem o exemplo e a cara pela organização. Aliás, as estatísticas dentro da Torre de Vigia costumam contabilizar o número de fiéis na organização baseando-se no número de publicadores registados nas congregações. Cada publicador tem que entregar um relatório periodicamente com o número de horas dispensadas no serviço de campo. Caso deixe de apresentar esse relatório ou o número de horas desça drasticamente do valor habitual de um momento para o outro, os anciãos poderão contactar o publicador em causa para tentar aconselhá-lo quanto ao seu momento de "fraqueza espiritual". Caso a situação se prolongue sem mais, o publicador poderá ser considerado simplesmente uma TJ inactiva. Isto se entretanto não tiver cometido nenhuma ofensa punível com desassociação.

Quanto à tua segunda pergunta, é preciso ter em mente que a actividade de pregação é a base da imagem pública das TJ como organização e um elemento-chave para manter a credibilidade da doutrina da Torre. Portanto, a atitude de um publicador, diante de um potencial convertido, em qualquer circunstância, deve pautar-se pela cordialidade, pela simpatia e pela compostura. Afinal, o objectivo não é afastar pessoas da organização, condenando-as já, mas sim tentar atraí-las e demonstrar compaixão (afinal de contas, o seu objectivo é tentar aliviar os pecadores do peso dos seus erros e oferecer-lhes a possibilidade de vida eterna). Isto aplica-se a pessoas GLBT, ex-reclusos, criminosos recorrentes, toxicodependentes,  pessoas com má reputação, mulheres que abortaram, membros vindos de outras religiões, pessoas com doenças mentais, etc. Como tal, diante de um casal homossexual ou outra pessoa assumida e conhecida na comunidade como GLBT, o publicador, seguindo as recomendações da Torre de Vigia, deverá simplesmente tentar pegar nalgum elemento que ache que esteja a frustrar ou a fazer infeliz a pessoa ou pessoas em causa e/ou chamar a atenção para um mundo melhor, uma felicidade eterna num paraíso comparados com o qual todos os prazeres momentâneos são minúsculos e efémeros. Caso a conversa entre a TJ e a pessoa visitada se prolongue, é possível que o publicador se sinta à vontade para ler alguns versículos bíblicos que ele acha que condenam a homossexualidade. Se eventualmente a pessoa visitada, ao invés de pedir para não ser incomodada de novo, demonstrar interesse e começar a sentir (ou a voltar a sentir) alguma homo/transfobia internalizada, está dado o primeiro passo para a conversão. Sem grandes alaridos, de modo suave.

Depois de o indivíduo integrar as TJ, e sobretudo se for baptizado, aí a história será diferente.
« Última modificação: 28 de Fevereiro de 2008 por What is in a name? »

    Testemunhas de Jeová GLBT
    #21

    Offline David Erif

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    Hmm..
    Obrigado mais uma vez w.i.a.n  :)

    Pelo que depreendi então, não estou em erro se disser que os Tj são uma associação religiosa defensora de uma conduta moral bastante rígida que pressiona os seus membros a seguir esses preceitos sob o risco de serem ostracizados pelos seus pares!
    Por outro lado, obriga os seus membros a seguir um trabalho de evangelização que explora a fragilidade e instabilidade emocional daqueles que abordam...

    Parece-me que há sempre uma questão de pressão psicológica em causa.

    Numa era de geral conscienlização religiosa, pautada pelo pragmatismo e longe do medo da condenação ao inferno que sempre serviu de meio propulsionador a grupos religioso de facção católica, quais são a teu ver, como ex-tj, os factores mais aliciantes que levam uma pessoa a integrar associações religiosas como os tj?
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      Testemunhas de Jeová GLBT
      #22

      What is in a name?

      • Visitante
      A tua impressão, de facto, não foge muito à realidade.

      E a tua pergunta é muito interessante. No fundo, aquilo que já conseguiste depreender responde em parte a essa questão. A meu ver, existe quase sempre uma fragilidade qualquer que aflige o indivíduo que se converte à doutrina das TJ. Em alguns casos, há quem, mesmo aparentemente culto e instruído, considere que as crenças divulgadas pela Torre de Vigia são mesmo legítimas e verídicas.

      Uma das crenças-base das TJ é que um dia o planeta Terra e a Humanidade serão regenerados, de tal forma que não haverá mais mentira, corrupção, crime, dor, desilusão, doença e até morte (os efeitos do tal reino milenarista, chefiado por Cristo até que ele o entregue ao Pai). Consequentemente, torna-se fácil atrair para a organização aqueles que efectivamente se sentem desiludidos com a sociedade actual e, se calhar, foram particularmente marginalizados pela mesma. Podem ser pessoas atormentadas com a morte de um familiar, uma doença crónica, a abundância da criminalidade ao seu redor, a "crise dos valores morais" [sic], a solidão, as constantes injustiças daqueles que as rodeiam, o vazio interior, etc. Tendo em conta que as TJ usam as palavras da Bíblia para dizer que todo esse "caos" contemporâneo estava previsto pelas Escrituras há séculos e que esse é um sinal de que o actual sistema de coisas se aproxima do fim, os potenciais convertidos sentem que encontraram alguma fonte de esperança, a sensação de que afinal o Bem governa o Universo e a certeza de que no final ele triunfará.

      Ao contrário do que se possa pensar, nós vivemos numa época de reanimação do fenómeno religioso, embora de modo muito mais pulverizado e individualista que antes. As pessoas sentem-se fartas das instituições religiosas em que cresceram, mas ao mesmo tempo as suas necessidades espirituais subsistem, tanto mais quanto a ausência de um sentido para a vida for um problema para o indivíduo. Muitas pessoas, como eu, embora tenham crescido, por exemplo, num meio católico, tenham frequentado a catequese, completado os sacramentos de iniciação prescritos pela Igreja, etc., nunca tinham tido uma experiência espiritual até conhecerem as TJ. No meu caso, foi a primeira vez que senti que entrei em contacto com um Deus de que tinha ouvido falar de modo frio desde criança, e todos os meus primeiros passos numa vida de oração, no contacto com a Bíblia, na definição de valores religiosos, foram dados através das TJ. Uma pessoa nessas condições sentir-se-á atraída, como é óbvio, para aquela que, para si, é para todos os efeitos a sua primeira religião a sério. Claro, isto não se aplica aos indivíduos que nunca tiveram uma especial predisposição para a mística nem sentiram necessidade de um Deus.

      As TJ também se tentam demarcar fortemente de todos os outros grupos do Cristianismo. Por isso mesmo recusam-se a usar o termo "Igreja" para se definirem como associação. Aliás, como seria de esperar em qualquer religião, as Testemunhas consideram que a sua religião é a única verdadeira, e que todas as outras propostas espirituais são falsas e enganosas. Tentam demarcar-se da opulência e do passado sangrento, com Inquisições e Cruzadas, da Igreja Católica, dos inúmeros pontos de ruptura e polémicas teológicas entre esta e as várias Igrejas Reformadas (mais conhecidas como Protestantes), algumas delas "demasiado" liberais, do tradicionalismo da Igreja Ortodoxa no Leste e das propostas supostamente mais arrojadas dos outros Novos Movimentos Religiosos. As TJ crêem que a sua religião é uma reconstituição fiel do Cristianismo primitivo, dos tempos dos apóstolos. Para quem nunca teve um contacto muito próximo com a sua religião de origem ou está profundamente desencantado com a hipocrisia reinante em muitos meios clericais, as TJ oferecem-se como uma alternativa, à primeira vista, muito convidativa. A Torre de Vigia não acredita num Inferno de fogo (nem o Catolicismo, hoje em dia...). A Torre não acredita numa alma imortal. Para as TJ, o ser humano é uma unidade indivisível, e por isso acreditam também que nós não TEMOS alma, nós SOMOS almas. Ao morrermos, deixamos de ter consciência de absolutamente nada. Portanto, no universo TJ não há almas penadas, medo dos mortos, actividades mediúnicas, etc. (muito embora muitas TJ possam ficar altamente obcecadas com a alegada acção dos demónios...). Para elas, haverá simplesmente uma ressurreição final. Tudo isto, a juntar à ausência da veneração de imagens e santos, de orações decoradas, de rituais complexos, etc., confere à organização um ar de sobriedade que pode agradar a quem tem um passado religioso mais tradicional e/ou esteja cansado da espiritualidade dos classificados dos jornais e televendas dos nossos tempos. De alguma forma, tratar Deus por um nome próprio, Jeová (que na origem tinha um significado completamente anti-nomes: "Eu Sou Aquele Que Sou"...) é de tal forma original para grande parte das pessoas que acaba por constituir mais uma "prova" de que as Testemunhas estão a dizer a verdade. "What is in a name?"...

      Existe também o factor emocional e afectivo. Muitas pessoas querem sentir que pertencem a algum lado, que são aceites num grupo, que podem contar com uma micro-sociedade estável onde os laços afectivos são seguros e estão protegidos por regras claras... Mesmo que isso implique a perda de algumas liberdades. Os recém-interessados são recebidos pelas TJ com uma enorme afectuosidade, porventura algum carinho, muita empatia e uma aparente disponibilidade e aceitação incondicionais. Quem só recentemente se começou a aproximar das TJ fica com a impressão de que as coisas serão sempre assim depois de se envolver mais profundamente com a sua congregação. Passa-se também a ideia de que as TJ são o único grupo religioso que vive o "amor de Cristo", sem divisões, contendas, discórdias, ofensas, traições. E mesmo que haja alguma discussão, o novo crente imagina que as questões são resolvidas sob a égide desse mesmo amor e que Cristo é a única inspiração e modelo de vida para todas as Testemunhas de Jeová. Esta questão torna-se particularmente relevante para quem veio de famílias problemáticas e/ou nunca esteve muito integrado na sociedade. Para mim, o primeiro factor a atrair-me às TJ foi a revelação de um Deus que era Pai, e que no meu caso era basicamente o único pai a sério com que poderia contar. Acabei por me agarrar a essa crença com unhas e dentes e a transferir todas as minhas carências emocionais para esse ser com quem eu conversava carinhosamente durante horas e horas a fio sobre todo o tipo de coisas. Na ausência de uma família estruturada, e sem quaisquer amigos, esse "Deus" foi o meu Amigo e Pai durante algum tempo. Até ao esgotamento, claro.

      Ficam aqui algumas pistas. Muito mais se poderia dizer. E dir-se-á, sem dúvida, ao longo deste tópico.
      « Última modificação: 29 de Fevereiro de 2008 por What is in a name? »

        Testemunhas de Jeová GLBT
        #23

        Offline HLuso

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        • Nós somos as palavras que escrevemos....
        Se Jesus Cristo é realmente o filho de Deus, e se está lá em cima, Sentado ao Seu lado, durante estes 2000 anos, deve se ter sentido imensamente frustrado, como é que em nome da religião, e ainda em mais em Seu nome, vão-se cometendo tantas barbaridades, que raio de ensinamentos são esses, que ao inves de se glorificar a humanidade, em toda a sua diversidade, se impõem regulamentos e e morais castrantes, diminuidoras das leis que nos regem pela Natureza!

        Todo o mundo Cristão, sejam catolicos, anglicanos, jeovás etc...acaba por pouco diferir do mundo Muçulmano, eu embora continue a acreditar em Deus, da forma católica como me ensinaram, vou-me ficando, para o meu conforto diario, pela frases e epensamentos, daquele que chamam o mensageiro da paz..Dalai Lama!
          Nascer HOMOSSEXUAL num Pais tão homofobico, foi destino!!!....Alguem ainda ha-de cantar este fado...!!!;)

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          #24

          Offline Topolino

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          O que me causa mais "revolta" é o facto de não permitirem transfusões de sangue. Como Enfermeiro, presenciei duas situações que chocaram e frustaram imenso. Uma no Serviço de Pediatria onde tinha uma criança doente que necessitava de uma transfusão de sangue e os pais não permitiram, correndo a criança um grave risco de morrer. Felizmente a criança acabou por ficar melhor com expansores e outros preparados sinteticamente, apesar de ter demorado muito mais tempo a recuperação. Outro caso foi na urgência onde uma criança teria também de fazer uma transfusão sanguínea e os avós não queriam permitir. Neste último caso, a irmã da criança de maior de idade teve de assinar o consentimento uma vez que não tinha pais. Em ambas as situações, senti-me revoltado mas respeitei apesar de ter estado sempre a insistir.
            Combater a desinformação é conquistar a liberdade.

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            #25

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              • Bravis esse laboro, obscuro fio
            Tanto isso que apontas como o que o HLuso frisou são ambas coisas com que concordo na medida em que choca, fere e fragiliza tanto quem está de fora a ver como quem possa estar por dentro a vivê-lo, aplicá-lo e defendê-lo. Tudo porque arrisco dizer que o sacrifício é parte de quem idealiza e comanda um caminho único, uma única vontade. Não lhe tira o peso, mas fá-lo ganhar por aquilo em que se acredita. As coisas seguem padrões sejamos nós crentes ou não e cada cultura tem o seu ponto base. Há que moldá-lo da melhor forma possível mas há que ser aberto para primeiro o compreender. Quanto ao lugar desse Mr. Jesus, de pouco me importa se faz o pino ou salta de segundo em segundo em nome da paz, pátria, individualidade ou abismo. As crenças partem da mensagem e da acção com base no pouco que esse criador nos deu. Somos cobaias da sua vontade, não do agora mas do suceder dos tempos, e portanto talvez isso que se vê de negativo na actualidade não seja dito como sua obra mas resultado daquilo que se fez com que nos deu. É pena, sim, que depois haja todo um molde humano sempre muito poético, metafórico e canibal. Mas isso está-nos no sangue desde os primórdios da nossa existência. Não preciso ser crente para calinar com alguma frequência.
              Pertence ao fenómeno universal da natureza humana que o tétrico, o medonho e até o horrível brotem com irresistível beleza (Schiller)

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              #26

              Offline David Erif

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              Primeiro que tudo W.i.a.n terei que dizer que acho brilhante todo o detalhe das tuas respostas. E pela minha parte, agradeço-te toda a quantidade de informação que deste.

              Ao contrário do que se possa pensar, nós vivemos numa época de reanimação do fenómeno religioso, embora de modo muito mais pulverizado e individualista que antes.

              Eu não diria que existe uma reanimação do fenómeno religioso. Não numa forma geral. Acho que o que se tem verificado desde o século passado é mais um “questionamento” dos princípios religiosos clássicos. Esse questionamento tem levado, realmente, ao despoletar de ideologias religiosas alternativas (que no fundo acabam por se instituir sob interpretações não muito afastadas das dos velhos princípios já instituídos) mas a tendência que mais se tem verificado é um progressivo afastamento cultural e social de todo e qualquer veículo de pendor religioso. Uma consequência, direi eu, da laicização dos Estados, que reduziu em pleno a importância do factor religioso da vida social em comunidade.
              Não sei se me estou a fazer entender..
              O facto é que, hoje em dia, a religião já não surge como algo que nos é imposto (como era nos tempos medievais ou mesmo pelo próprio Estado à uns 40-50 anos atrás), surge antes como algo que tem de ser procurado pela própria pessoa para que esta faça parte da sua vida. Sendo este o caso e estando perante o fenómeno dos grupos religiosos, temos que nos perguntar quais as razões que impelem a que se adira a um.

              - Primeiro. Por uma questão de enraizamento cultural, de fácil acesso e até de conveniência, seguir as práticas da tradição católica, no seu todo ou apenas em parte, é, penso eu, a forma mais fácil de ter acompanhamento religioso. Quem opte por outra via a meu ver acaba por tomar um caminho alternativo, compatível ou não com o próprio catolicismo/cristianismo.
              E porquê fazem essa opção? Terá a ver com o certo descrédito que a própria ala intelectual da sociedade tem concedido à igreja católica?

              - Segundo. Tenho notado que actualmente o factor apelativo usado pela religião, seja ela qual for, é de servir como meio de solução e resposta aos problemas afectivos, psicológicos e incrivelmente, até financeiros. Se antes a religião prometia a salvação da alma do fogo do inferno, agora promete é salvação do corpo e da carteira. Acho muito bem. Assim acaba por se integrar no meio da acção de ajuda social.
              Ora bem, grupos religiosos como os Tj são conhecidos por se aglomerarem em pequena comunidades fechadas de entreajuda aos membros integrantes. Uma vez que faz parte da própria natureza do Homem o desejo de integração e de união a um grupo de pertença para que se sinta seguro e em completo bem-estar, pergunto-me se não estará aí a maior razão de sucesso das associações religiosas e se a doutrina teológica não será somente um complemento secundário de atracção à adesão?

              Isto são perguntas um pouco retóricas pois a resposta varia de pessoa para pessoa mas é interessante interrogar-nos sobre isto, sob um ponto de vista sociológico.

              Aquilo que é mais importante perguntarmo-nos é - quanto prejudicial é para um homossexual integrar-se num grupo religioso que rejeita e condena a sua própria natureza e como é que nós o poderemos ajudar sem destruir as suas próprias crenças?
              What do think W.i.a.n?
                :)

              Se Jesus Cristo é realmente o filho de Deus, e se está lá em cima, Sentado ao Seu lado, durante estes 2000 anos, deve se ter sentido imensamente frustrado, como é que em nome da religião, e ainda em mais em Seu nome, vão-se cometendo tantas barbaridades, que raio de ensinamentos são esses, que ao inves de se glorificar a humanidade, em toda a sua diversidade, se impõem regulamentos e e morais castrantes, diminuidoras das leis que nos regem pela Natureza!
               
              :)
              Deus não deve ser daqueles que discrimina. Nem aqueles que o são.

              O que me causa mais "revolta" é o facto de não permitirem transfusões de sangue. Como Enfermeiro, presenciei duas situações que chocaram e frustaram imenso.

              Eu ficaria tão chocado e frustrado como tu se tivesse na mesma situação. Provavelmente, por reacção espontânea até entraria em confronto com os pais, indo contra qualquer código de ética.
              Mas também estou em crer que ambos os pais ou avós apenas desejavam o melhor para as crianças, segundo a sua lógica.
              Quero acreditar que sim.

              Tanto isso que apontas como o que o HLuso frisou são ambas coisas com que concordo na medida em que choca, fere e fragiliza tanto quem está de fora a ver como quem possa estar por dentro a vivê-lo, aplicá-lo e defendê-lo. Tudo porque arrisco dizer que o sacrifício é parte de quem idealiza e comanda um caminho único, uma única vontade. Não lhe tira o peso, mas fá-lo ganhar por aquilo em que se acredita.
              Este rapaz...  :)
              Pura poesia! Mas com um toque de cinismo.
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                #27

                Offline cacao

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                O que me causa mais "revolta" é o facto de não permitirem transfusões de sangue. Como Enfermeiro, presenciei duas situações que chocaram e frustaram imenso. Uma no Serviço de Pediatria onde tinha uma criança doente que necessitava de uma transfusão de sangue e os pais não permitiram, correndo a criança um grave risco de morrer. Felizmente a criança acabou por ficar melhor com expansores e outros preparados sinteticamente, apesar de ter demorado muito mais tempo a recuperação. Outro caso foi na urgência onde uma criança teria também de fazer uma transfusão sanguínea e os avós não queriam permitir. Neste último caso, a irmã da criança de maior de idade teve de assinar o consentimento uma vez que não tinha pais. Em ambas as situações, senti-me revoltado mas respeitei apesar de ter estado sempre a insistir.

                No caso de crianças é mais complicado mas defendo que qualquer pessoa tem o direito a recusar tratamento médico por ir contra a sua profissão de fé ou não necessariamente. Eu tenho o direito a recusar quaisquer cuidados médicos, assinado um termo de responsabilidade, por exemplo. Próxima de mim, tive uma pessoa muito querida que na fase terminal recusou qualquer cuidado ou hospitalização, morreu mais cedo por falta de cuidados paliativos mas era essa a sua vontade e o seu desejo foi realizado até ao final e não o fez por crença religiosa alguma.

                  Another one will bite the dust...

                  "Se não houvesse nem mar nem amor, ninguém escreveria livros." -  Duras

                  "A felicidade é o livre uso das nossas capacidades". - V. Woolf

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                  #28

                  Offline corema

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                  No caso das crianças não devia ser complicado. Nenhuma criança nasce testemunha de jeová, ou de qualquer outra religião, deveriam ser tratadas independentemente da religião dos pais. Um adulto tem todo o direito de recusar tratamento, a não ser que tenha uma doença infectocontagiosa. Nesse caso deve ser obrigado a tratar-se (como é se tiver tuberculose por ex) porque a saúde dos outros também está em risco.
                  Há uma coisa que as pessoas deviam aprender, os filhos não são uma propriedade! Enquanto crianças, os pais têm a obrigação de os cuidar o melhor que puderem, mas isso não faz das crianças sua propriedade. Cada ser humano é um ser individual e tem direitos como tal. A criança quando nasce não pertence a uma religião e os pais não a podem obrigar a viver segundo aquela que escolheram como a sua religião.

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                    #29

                    Offline cacao

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                      • Mais sobre mim...
                    Um adulto tem todo o direito de recusar tratamento, a não ser que tenha uma doença infectocontagiosa. Nesse caso deve ser obrigado a tratar-se (como é se tiver tuberculose por ex) porque a saúde dos outros também está em risco.

                    Obviamente.

                    Há uma coisa que as pessoas deviam aprender, os filhos não são uma propriedade! Enquanto crianças, os pais têm a obrigação de os cuidar o melhor que puderem, mas isso não faz das crianças sua propriedade. Cada ser humano é um ser individual e tem direitos como tal. A criança quando nasce não pertence a uma religião e os pais não a podem obrigar a viver segundo aquela que escolheram como a sua religião.

                    Não é tão relativo assim, infelizmente, as pessoas até aos 18 anos - 16 anos em algum caso - são "propriedade" sejam das figuras parentais ou em último caso a cargo do Estado. E isso não é de todo, algumas vezes, o melhor para os interesses de uma criança. Porém, acontece.

                    Acontece também que enquanto mãe (hipoteticamente) posso querer recusar tratamento médico ao meu filho e não por questões de profissões de fé, mas por acreditar que não é o melhor para essa situação específica. Uma transfusão de sangue é se calhar um exemplo muito polémico mas posso, por exemplo, querer recusar radioterapia ao meu filho e com isto não digo que está certo ou errado apenas quero dizer que são situações delicadas e nada lineares.
                      Another one will bite the dust...

                      "Se não houvesse nem mar nem amor, ninguém escreveria livros." -  Duras

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                      #30

                      Offline corema

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                      Não é tão relativo assim, infelizmente, as pessoas até aos 18 anos - 16 anos em algum caso - são "propriedade" sejam das figuras parentais ou em último caso a cargo do Estado. E isso não é de todo, algumas vezes, o melhor para os interesses de uma criança. Porém, acontece.

                      Acontece também que enquanto mãe (hipoteticamente) posso querer recusar tratamento médico ao meu filho e não por questões de profissões de fé, mas por acreditar que não é o melhor para essa situação específica. Uma transfusão de sangue é se calhar um exemplo muito polémico mas posso, por exemplo, querer recusar radioterapia ao meu filho e com isto não digo que está certo ou errado apenas quero dizer que são situações delicadas e nada lineares.

                      Eu só acho que as pessoas deviam pensar que o facto de serem responsáveis por uma criança não faz com que essa mesma criança seja propriedade de ninguém, faz sim com que tenham uma série de obrigações em relação a essa criança. Acho sinceramente que nenhum pai tem o direito de fazer com que uma criança viva de acordo com as suas opções religiosas, porque é disso que se fala neste tópico. Uma criança quando nasce não tem religião ou partido político, deve sim ser educada para um dia poder tomar as suas decisões. Uma coisa é optar por diferentes tratamentos, ou por ouvir outras opiniões médicas, outra coisa completamente diferente é recusar tratamento a uma criança por motivos religiosos, quando esse é o único tratamento que pode ajudar. É óbvio que o caso da transfusão é um exemplo extremo, mas eu sei de um caso de uma miúda de 10 anos, filha de testemunhas de jeová, que morreu no Hospital de S. Marcos, em Braga, na década de 90, por não permitirem uma transfusão!

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                        #31

                        Offline PedroSilvaa

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                        • Membro Elite
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                        por acaso apareceu aqui um sr a porta que era test d jeova e o gaydar despertou me logo lol
                          Pedro Silv@

                          >>> A vida tem a cor que tu quiseres pint@r! <<<

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                          #32

                          Offline Pikaxu

                          • *
                          • Novo Membro
                          • Género: Feminino
                          olá. descobri esta página ao acaso, mas que me despertou muito a atenção. eu já fui testemunha de jeóva durante alguns anos. nesse tempo desconhecia a minha verdadeira orientação sexual. na altura namorava com o que as tj chamam de pessoas do mundo (alguem que não faz parte da organização) e fui expulsa... considero que não tive qualquer apoio. há bem pouco tempo, alguem me fez sair do "armário" e me fez admitir quem eu era realmente.... neste momento essa relação terminou e tou a sofrer por isso o que me leva a perguntar se valerá a pena assumir o que somos ou continuar a viver uma vidinha de mentira. quanto á questão das transfusões, quem está de fora do assunto faz disso um bicho de sete cabeças. existem outras alternativas mas quem não estiver informado desconhece. se tentarem procurar informação irão ver que  não é assim tão complicado.
                             

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                            #33

                            DaVinci

                            • Visitante
                            Tive alguns colegas no nono ano que eram Testemunhas de Jeová (a minha cidade tem uma grande comunidade TJ). Para ser sincero tenho uma péssima ideia da organização. Tanto quanto sei são criacionistas, não entendem o evolucionismo e alguns até acreditam que a Terra foi criada por Deus há seis mil anos. Pelo menos na minha cidade há TJ's assim. Vêm bater à minha porta com regularidade, antes atendia e ouvia estas asneiras, agora digo-lhe que sou ateu  :devil

                            Sei que na comunidade TJ da minha cidade os jovens TJ são «proibidos» de sair à noite pelos pais, e sofrem uma grande pressão para namorarem e casarem com outros jovens que também sejam Testemunhas de Jeová.

                            Para além disso, tive uma vez uma situação muito caricata com um Testemunha de Jeová. O meu professor de Química do 12.º ano era um Testemunha de Jeová acérrimo, andava regularmente de porta em porta. Na escola tinha fama de ser gay, embora fosse casado e pai de filhos. Soube que se comentava nas costas que ele ia para o Porto ao fim de semana para engatar homens (não faço ideia de como surgiu o boato). Para além disso, diziam que ele era pouco severo e benevolente com os rapazes mal comportados e giros (facto que comprovei várias vezes).

                            Bem, o que aconteceu foi o seguinte: um dia fui tirar dúvidas para o exame nacional. Ele disse-me que não tinha tempo para atender e para eu passar na casa dele à tarde, que depois de atender o grupo de explicações que me tirava as dúvidas. Depois dos alunos da explicação saírem, fiquei sozinho com ele na sala, e ele sentou-se perto de mim. Gradualmente, foi-se aproximando cada vez mais de mim, e eu desviando para o canto da mesa, até chegar a um ponto em que eu já não podia me desviar mais e ele já estava mesmo colado a mim. Foi então que reparei que a mão esquerda e o braço dele descaia sempre que parava de corrigir ou escrever algo, até chegar a um ponto em que já começava a roçar nas minhas virilhas e quase no...  :o :-[

                            Foi nesse ponto que pedi para ir ao WC (super assustado e sem saber o que fazer) e depois dei uma desculpa e sai. Até hoje penso nesta situação estranha e não a consigo interpretar, pois pareceu-me surreal. Não voltei a participar nas aulas, nem a tirar dúvidas, saia no final das aulas a correr com receio que ele me chamasse. Felizmente nunca mais o vi, mas sei que continua no mesmo liceu...

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                              #34

                              Offline Dawid

                              • ***
                              • Membro Total
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                                        Essa "variante de cristianismo" é uma piada autentica. Os lideres são preconceituosos e radicais. A orientação deles é a biblia obviamente...e eles axam-se os unicos k seguem a biblia com rigor. Atacam os homossexuais baseando-se nas passagens da biblia keles julgam ser contra o amor e a natureza homossexual. Essa cena das transfusoes sanguineas é devido mais uma vez ás instrepretações da biblia. Está la a dizer no antigo testamento k uma pessoa nunca se deverá alimentar de sangue ou seja tudo o k sejam adkirir sangue de outrem seja de k forma for. Já crianças morreram dessa forma. Os pais impedem os filhos de receber transfusoes sanguineas pk têm medo kisso ofenda deus. Até já medicos receberam processos em tribunal devido a desrespeito da ordem dos pais. Não acontece kom muita frekuencia e nao se ouve muito...é pena...axo k esta "cena" pk sim é uma "cena" pk eu nem lhe consigo xamar religião...deveria ser extinguida, não melhora a kualidade de vida das pessoas pk só as embrutece. E sim essa cena do criacionismo...eles são completamente loucos...6000 anos....enfim...São esses e os adventistas do 7º dia...não há paciencia...
                              « Última modificação: 11 de Abril de 2009 por Dawid »
                                Europe is the cancer, Islam is the answer

                                Testemunhas de Jeová GLBT
                                #35

                                Offline jxjx00

                                • *
                                • Novo Membro
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                                Não adicionando nada de novo ao tópico, eu tb ja cheguei a ser testemunha de Jeová.
                                Inclusive a minha mãe é e tem sido um problema constante a minha sexualidade para ela.
                                Não há uma semana que não aja confusão em casa, no entanto já foi pior.
                                E sim a parte psicologista de quem ja foi ou é fica bastante abalada. 
                                  Não procures pessoas que ocupem o primeiro lugar na tua vida,esse lugar já é teu .

                                  Testemunhas de Jeová GLBT
                                  #36

                                  Offline Sapphire

                                  • *
                                  • Novo Membro
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                                  Não adicionando nada de novo ao tópico, eu tb ja cheguei a ser testemunha de Jeová.
                                  Inclusive a minha mãe é e tem sido um problema constante a minha sexualidade para ela.
                                  Não há uma semana que não aja confusão em casa, no entanto já foi pior.
                                  E sim a parte psicologista de quem ja foi ou é fica bastante abalada.

                                  Eu também já fui, baptizada aos 11 anos.
                                  Estou desasociada, obviamente. Já por mais de um ano... não me arrependo! Mas sim, é difícil quando sabemos bem que, se desejar-mos ser felizes, teremos que perder todas as amizades e mesmo familiares que são Testemunhas de Jeová. Infelizmente, as pessoas não compreendem bem essa parte e esquecem de que as Testemunhas de Jeová são, no fundo, um culto.
                                  Um culto que afecta bem as nossas vidas, a nossa personalidade e nossa relação com as outras pessoas pelo qual fomos doutrinadas bem de novas que.. são "do mundo". Pessoas que não são para confiar, que nos vão enganar, magoar. Sem moral. Não é fácil sair de um culto quando a nossa visão "do mundo" é distorcida!
                                  Mas vale a pena, para sermos felizes, libertas. Mas doí.. e muitas pessoas não conseguem compreender isso. Comparando com outras religiões, as TJ são bem diferentes de muitas religiões cristãs.

                                  Coragem! Muita força de vontade! Mas, acima de tudo, humildade e sinceridade =)
                                  « Última modificação: 11 de Junho de 2017 por Sapphire »

                                    Testemunhas de Jeová GLBT
                                    #37

                                    Offline TGz`

                                    • *
                                    • Novo Membro
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                                    É curiosa a escolha do nome para a organização legal e editorial por detrás das TJ. Para quem está lá dentro, é um nome com origens bíblicas. Para o exterior, torna-se um pouco assustador.










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