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Poesia

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sleepy_heart:
Para aqueles/as devaneios que acontecem em segundos na rua: relacionando com redes sociais e redes sociais virtuais.

Olhei e tentei fazer contacto visual
Mas os teus olhos focavam o ecrã
Provavelmente numa qualquer rede social

Questionei o teu nome
Mas deduziste que o sabia e nem fizeste caso
Por ser tão óbvia a identidade online

Beijei-te na imaginação
Mas não sentiste sequer o sopro do vento
Por estares noutra dimensão

Eu fiz log off do online para te encontrar
Mas tu estás a um metro de mim no log in virtual
Eu fiz log off do online para te abraçar
Mas tu só queres o Pikachu e o Bulbasaur
Eu quis "desonliner-me" do mundo virtual
Para um espaço real entre ti e mim encontrar






sleepy_heart:
Dentes inexistentes para que não roam a placenta acolhedora
Nem o cordão umbilical de ligação
Acabam por nascer a posteriori
No mundo cá fora
E tanto há que roer, desde gelados até ao momento de f****
Na vida, assim despida, mas não de complexos
E onde uns roem a alma, outros mordem corpos nus
E as marcas desaparecem como qualquer outra que não deixe cicatriz;

E quão difícil deve ser para quem andou connosco dentro
Imaginar que se nos afundem barcos pelo nosso mar aberto,
Qual mar vermelho, qual Moisés... que já há poucos,
e se nos penetram, só se for por mera coincidência.

sleepy_heart:
E a alma triturada que opção tem? Tantas, não vês?
Podes comê-la à colherada,

                                                                                                                       atirá-la à parede a ver se cola.

Acender-lhe um fósforo e verificar se explode.

                                                        Tentar prender-lhe um cordel, duvidando que segure, mas sempre ficas entretido/a uns segundos.


Ou leva-a na mesma dentro de ti sem lhe fazeres nada.

Um dia pode ser que volte a secar e não escorra por ti abaixo.                Um dia volta a ganhar consistência e deixa de ser essa papa mole

que trazes contigo.

                                                   Mas olha, um conselho, que deixe de ser papa mas...



                                                             que não se torne cimento impenetrável.

sleepy_heart:
Lume brando, onde já pegou fogo ardente
Água natural, em vez de aguardente
De alma em alma, coração marcado a tinta permanente
Onde já só ela permanece, nomes que ficaram,
Corpos que vieram, se vieram, e se foram,
Sentimentos ainda pouco gastos, tão gastos de si,
Calma, maré vazia, alma cheia de tudo e de nada,
Cheia de si e não afundada.

lírica:
Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efémero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…

A Autora de:
(...)Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

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