Comunicado

Concertos Homofóbicos em Portugal, Não!

1 janeiro 1970

As organizações e pessoas abaixo assinadas vêm deste modo protestar juntos das entidades responsáveis, designadamente a TMN, a JahLive e o Armazem F, contra a vinda a Portugal do cantor jamaicano Sizzla.

A obra deste autor é conhecida pelo público pela sua letras incitadoras ao ódio e à homofobia. Não são meramente a expressão de uma opinião, mas um claro incitamento a crimes de ódio, num país em que a Constituição proíbe a discriminação com base na orientação sexual e onde estes crimes com motivação homofóbica são considerados particularmente gravosos pelo nosso enquadramento penal.

Só para citar alguns exemplos, em “Pump Up”: “Step up inna front line (Fica na primeira fila), “fire fi di man dem weh go ride man behind” (Queima os homens que têm sexo com outros homens por detrás), “Shot battybwoy, my big gun boom” (Dispara contra os maricas, a minha pistola faz boom). Na música “Boom Boom”: “Boom boom! Batty boy them fi dead” (Boom boom! Os maricas devem morrer). Em “Get To Da Point”: Sodomite and batty bwai mi seh a death fi dem (Sodomitas e maricas, eu digo: morte para eles). Mi a go shot batty bwai dem widdi weapon ya (Vou e disparo nos maricas com uma arma).»

Inicialmente agendado para o próximo dia 5 de Abril, em Lisboa, na sala TMN ao Vivo, o concerto procura agora novo local após a TMN, inundada por reclamações, ter tentado desvincular-se do evento. Com a justificação de não ser proprietária do Armazém F (conhecido pela ‘Sala TMN ao Vivo’) e de apenas ceder o nome ao referido espaço, bem como de ter desconhecimento de qualquer concerto com Sizzla estar agendado em Portugal, a TMN atribui todas as responsabilidades às empresas promotoras do espetáculo.

Entendemos no entanto que a TMN não está isenta de culpa. Ao ceder o nome da marca para qualquer evento é conivente com o mesmo. Mais ainda, apesar de afirmar o seu desconhecimento, a verdade é que o site da TMN - Musica no Maximo (musicanomaximo.tmn.pt/ao_vivo.php), que publicita o “TMN ao vivo” divulgou o concerto de Sizzla até ontem ao fim do dia, sem ter divulgado publicamente as razões para esta desvinculação de um evento cujos conteúdos são, como vimos, claramente homofóbicos.

Os concertos deste cantor agendados, por outras entidades, para Barcelona, Madrid, Málaga, Valencia, bem como Estocolmo, foram já cancelados devido ao seu discurso de ódio homofóbico. Exortamos a JahLive, enquanto promotora responsável do evento em Portugal, a fazer o mesmo, sob pena de ser cumplice num crime de incitamento ao ódio. Não há justificação para promover um apelo público ao assassinato.

A JahLive não pode deixar de cancelar a vinda de Sizzla a Portugal, único sinal claro de que respeita os direitos humanos. Só assim esta empresa cumprirá a Constituição da República Portuguesa, nomeadamente o seu 13º artigo, e dará um sinal claro de que não compactua nem promove a discriminação com base na orientação sexual nem o incitamento ao ódio.

Subscrevem:

  • AMPLOS - Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual
  • Caleidoscópio LGBT
  • Clube Safo
  • Federação Distrital do Porto da Juventude Socialista
  • GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA
  • Grupo Transexual Portugal
  • ILGA
  • não te prives - Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
  • Opus Gay
  • Panteras rosa - frente contra a lesbigaytransfobia
  • PolyPortugal
  • Ponto Bi
  • rede ex aequo
  • UMAR