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Carta Aberta à Revista Visão

20 de Novembro de 2007

Exmos. Senhores,

A rede ex aequo – associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes tomou conhecimento da reportagem intitulada "Estranhas alianças" inserida na vossa edição número 766 de 8 de Novembro de 2007.

Nesta reportagem, a denominada terapeuta familiar Margarida Cordo afirma: "A homossexualidade é um transtorno da identidade sexual, uma doença e tem recuperação."

Não podíamos ficar indiferentes e deixar de manifestar a nossa forte indignação perante tal afirmação que qualificamos como errada, discriminatória, ofensiva e uma prática de depreciação grosseira sobre aqueles que possuem uma orientação sexual diferente da maioria.

É extraordinário que algo do género seja publicado em 2007, mais de 30 anos após a Associação Psiquiátrica Americana (APA) ter retirado a homossexualidade do seu "Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais" (DSM), depois de rever estudos e provas que revelaram que a homossexualidade não se enquadra nos critérios utilizados na categorização de doenças mentais. Em 1992, a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez o mesmo, após psicólogos e sexólogos terem chegado à conclusão de que a homossexualidade é uma orientação sexual, tal como a heterossexualidade, não se tratando assim de uma doença.

Ainda, a APA, juntamente com uma série de outros organismos colegiais, opõe-se a qualquer tratamento, tais como "curas" ou "terapias de reversão". Para além da sua ineficácia, este tipo de terapias incorre em riscos de causar danos aos seus pacientes ao provocar depressões, ansiedade e comportamentos auto-destrutivos.

Iremos efectuar uma queixa à Pró-Ordem dos Psicólogos, por considerarmos a atitude da Dr.ª Margarida Cordo em ruptura com o código de ética, e altamente prejudicial àqueles submetidos a "recuperar" da sua homossexualidade.

Temos plena consciência de que as declarações inicialmente citadas são responsabilidade desta terapeuta, contudo, lamentamos que essas mesmas declarações tenham lugar – e destaque – num órgão de comunicação como a Visão. Pedimos a vossa especial atenção para as graves consequências que advêm da publicação deste tipo de informação, pois são estes mitos e preconceitos que prejudicam seriamente o desenvolvimento individual, social e afectivo das pessoas homossexuais.

Também seria pertinente num artigo que aborda o casamento com pessoas homossexuais, referir e aprofundar o conceito de homossexualidade, e o facto do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo não ser legalmente permitido em Portugal. Não menos importante é a distinta realidade social que vivemos no nosso país e a descrita no vosso artigo, pois como podemos afirmar pela nossa experiência de trabalho com jovens lésbicas, gays e bissexuais, a discriminação com base na orientação sexual ainda predomina na nossa sociedade.

Despedimo-nos na esperança de ter esclarecido e sensibilizado de alguma forma para os pontos que destacámos.

Os melhores cumprimentos,

A Direcção da rede ex aequo