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Porque é preciso ter orgulho em ser Lésbica, Gay, Bissexual, Trans ou Intersexo (LGBTI) (Carta Aberta a José António Saraiva)

Exm.º Sr. José António Saraiva,

Na sequência da sua crónica O Armário publicada no jornal Sol de dia 11 de junho de 2015, decidimos escrever-lhe a presente carta para poder ajudá-lo a compreender porque é necessário e importante ter orgulho em pertencer a uma população minoritária no que diz respeito à orientação sexual e/ou identidade de género (porque a palavra Gay não abrange todas estas pessoas, usamos a sigla LGBTI, para simplificar a comunicação, e evitar que o texto se torne demasiado extenso).

A rede ex aequo - associação de jovens LGBTI e apoiantes trabalha há 12 anos no apoio à juventude LGBTI e na educação para a mudança de mentalidades no que toca a questões relacionadas com orientação sexual e identidade e expressão de género. E assim sendo, o nosso trabalho pauta-se pela promoção da visibilidade das pessoas LGBTI, uma vez que vivemos ainda numa sociedade heteronormativa (que pressupõe que todos os indivíduos são heterossexuais) e heterossexista (que pressupõe que a heterossexualidade é superior ou de maior valor e mais desejável em relação a qualquer outra orientação sexual). Alimentando o estigma em relação a pessoas com orientações sexuais diferentes da norma, muitas crianças e jovens, quando ouvem falar de pessoas homossexuais, as primeiras palavras que ouvem são paneleiro ou fufa, palavras com uma conotação extremamente negativa (sendo, em alguns contextos, os insultos mais fortes que podem ser dirigidos a um jovem) e que podem perseguir um jovem que, mais tarde, se venha a descobrir como homo, bi ou transexual. Se crescemos a ouvir constantemente insultos, de onde poderá vir então a noção de que ser-se LGBTI não é um problema, uma abominação ou uma fraqueza? Certamente não será de crónicas suas, nem do silenciamento por parte das instituições, como as escolas, onde diariamente jovens continuam a sofrer agressões por serem LGBTI ou por serem percecionados como tal (esta talvez seja uma surpresa, mas não são apenas as pessoas LGBTI que sofrem com a homobitransfobia).

A orientação sexual e a identidade de género de cada pessoa são características intrínsecas, involuntárias e naturais da sua personalidade, e portanto não são fruto da sua vontade. Apesar disto, os jovens LGBTI têm de enfrentar uma sociedade que, na sua génese, nos menospreza e humilha. O ato de sermos quem somos torna-se um ato de coragem, pelo que temos de ter força, paciência, perseverança e — sim — orgulho, de forma a conseguirmos viver as nossas vidas com dignidade.

É da opinião da rede ex aequo que cada pessoa é livre de viver abertamente ou não a sua orientação sexual dado que muitas pessoas vivem em situações extremas de medo, insegurança, onde a orientação sexual é crime e muitas vezes sentenciada com morte.

No entanto, não deixa de ser importante fazê-lo exactamente para que esta minoria possa ser vista para além dos mitos, estereótipos e preconceitos existentes em relação à mesma. A visibilidade é para isso mesmo, para que na sociedade se encontrem pessoas de todos os tipos, de forma a que a aceitação, o conhecimento da diferença seja cada vez maior. Os políticos em Portugal de facto não saem do armário, não por uma questão de preservação da sua vida privada, mas por receio do seu eleitorado. E pensar que um chefe de Estado possa ter um cônjuge do mesmo sexo nem sequer é uma hipótese. Fala-se em políticos no armário porque estes poderiam ser um verdadeiro motor de mudança. A visibilidade é uma ferramenta para a mudança de mentalidades e a quebra de preconceitos. Estas pessoas têm o poder de fazer a mudança no seu dia-a-dia, e de inspirar e dar esperança a todos os jovens e adultos que vivem com medo e com receio, e que acabam muitas vezes por se suicidar.

Poderá contar sempre com a rede ex aequo para este ou outros esclarecimentos, pois esta é a nossa missão, o esclarecimento e sensibilização para a realidade dos jovens LGBTI. Referimos também que o jornal que dirige já nos acompanhou a uma escola neste âmbito. No dia em que não houver mais ninguém discriminado pela sua orientação sexual, identidade ou expressão de género, fecharemos portas com o sentimento de missão cumprida. Até lá, vamos dando resposta àqueles que ainda estão longe de aceitar verdadeiramente que existe diversidade sexual e identitária, e que ser-se diferente do que é normativo não é nenhum problema. Obrigado por nos continuar a dar trabalho.

A direção da rede ex aequo