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Autor Tópico: Mudar de orientação: ontem Homossexual, hoje Bissexual...  (Lido 4448 vezes)
 
neo_21
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my tendency to dream of softer places...


« em: 23.Mai.2005, 08:09:05 »

Olá! Este é um assunto com o qual me deparei há já algum tempo, e que de vez em quando lhe dedico alguns períodos de reflexão.

Falo de uma mudança de orientação sexual. Pessoas que já se assumiram como homossexuais e que, passado uns anos, se (re)assumem como bissexuais.

Uma vez contava a um colega meu (com pouco mais de trinta anos) como tinha sido a revelação da minha homossexualidade aos meus pais. Dizia-lhe que eles, dificilmente, iam abandonar a ideia de que isto era "uma coisa que me ia passar" (como se se tratasse de um qualquer capricho adolescente).
Para minha surpresa ouço por parte dele: "Mas talvez possa passar. Eu agora assumo-me mais como bissexual, e tanto me vejo a namorar com uma rapariga como com um rapaz".

Tempo mais tarde ouço uma rapariga, que à partida, se assumia como lesbica, dizer uma coisa semelhante: "Agora sinto-me mais bissexual que homossexual".

E eu pergunto se isto será realmente possivel. Ou seja, se estas duas pessoas começarem a ter uma relação com alguem do sexo oposto, poderá a relação sobreviver? Se nunca antes sentiram uma atracção especial por pessoas do sexo oposto (daí se terem assumido homossexuais...), com o tempo começam a sentir, sem que seja mera curiosidade. Parece que é como acordar naturalmente para uma realidade diferente.

Não quero acreditar que este tipo de atitude resulte de uma espécie de conformismo em relação à sociedade, nem tão pouco acredito na expressão "se não os podes vencer, junta-te a eles". Mas esta (suposta) mudança implicaria pôr de parte algumas certezas que, fomos adquirindo durante todo o processo aceitação da nossa homossexualidade. 

Conhecem mais casos deste género?
Será, para algumas pessoas, uma especie de evolução natural (ou regressão, what ever) no sentir e no amar? ...
Ontem homo, hoje bi... amanha... hetero, quiçá.
« Última modificação: 23.Mai.2005, 08:16:55 por neo_21 » Registado

"...o que merece atenção é o belo, caprichoso e imprevisível percurso de uma folha que cai e não o monótono facto de acabar sempre por cair." (A. Amorim)
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« Resposta #1 em: 23.Mai.2005, 11:44:45 »

Conhecem mais casos deste género?

Conheço sim.

Ontem homo, hoje bi... amanha... hetero, quiçá.

Não acredito que as coisas funcionem assim.
Um homossexual apaixona-se por pessoas do mesmo sexo, um heterossexual apaixona-se por pessoas do sexo oposto e um bissexual tanto pelo mesmo sexo como pelo sexo oposto. Se eu já me apaixonei por uma rapariga não é por agora estar mais interessada em homens que sou hetero. Se já me apaixonei por uma pessoa do mesmo sexo heterossexual não sou.

Isso de "passar" a ser bissexual quando nos assumimos como homossexuais é muito parecido com o que acontece com uma pessoa que se julgava heterossexual e que um dia se apaixonou por alguém do mesmo sexo. Nunca se sabe por quem nos vamos apaixonar.
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« Resposta #2 em: 23.Mai.2005, 17:03:34 »

Será que é isso uma mudança de orientação? ou será que definirmos a nossa orientação sexual é um processo deveras complicado?
Penso que todos nós temos alguma necessidade de catalogar e rotular as coisas, inclusive a nossa orientação sexual, e não é uma coisa fácil de definir. Imaginemos que hoje me considero homosexual, namoro com um rapaz e não sinto nenhum interesse sentimental ou sexual por raparigas. No entanto em tempos já me cheguei a apaixonar por uma rapariga, e não sei o que o meu futuro me reserva, talvez me volte a apaixonar por uma rapariga não sei...
O rótulo de homosexual, bisexual ou mesmo heterosexual muitas vezes não tem um caracter definitivo, e pode corresponder apenas ao que nos sentimos numa determinada fase da nossa vida.
Não sei se isso será uma mudança da nossa orientação sexual, ou se antes uma redefinição...

é complicado de facto
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« Resposta #3 em: 23.Mai.2005, 17:18:01 »

A multiplicidade da sexualidade é tão vasta quanto a individualidade de cada pessoa, no entanto a tentativa de colocar tudo em pacotes limpos e rotulados, como refere o bugkille3r, só serve para confundir as pessoas quando essa rotulação não é conseguida a 100%.

E note-se que cada um pensa como quer porque é dono da sua própria sexualidade, com ou sem rótuos... mas seria menos complicado se se observasse e levasse as coisas para além desse prisma. Ir para além disso é compreender e descontruir os esteriótipos da sociedade... não é fácil.

E sim conheço raparigas que namoravam exclusivamente com homens, e um dia viram-se apaixonadas por outra mulher. E vice versa.
Acaba tudo por ser uma questão de tempos e momentos da vida, que nos fazem olhar o mundo sobre outra perspectiva.
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HLuso
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« Resposta #4 em: 24.Mai.2005, 02:47:18 »

Não resisti a ler uma dúvida tão interessante e pertinente...que no fundo transmite a forma catalogada com que se vê a sexualidade humana, a cartografia do sexo,feita com as escalas das psicologias, progressões e regressões, niveis distintos de homossexualide, bissexualidade e heterossexualidade...

Lembram-me um teste qualquer que fiz na net, veja a sua percentagem de homossexualidade...

Como se a natureza humana não fosse matéria composta apenas por energia, e não estivesse a mesma sujeita a vórtices...os vortices das emoções...os amores e as paixões...!

A homossexualidade é tida como um caminho sem volta, diz o povo..a partir do momento que experimentas não há volta possivel...é essa a ideia...uma espécie de buraco negro que suga e já não se tem retorno possivel....mas já o mesmo não é válido para a heteressexualidade, quem a experimenta pode sempre perde-la ao se tornar homossexual ou então bissexual...

Ou seja, é partir do pressuposto que a heterossexualidade é algo muito precioso que ninguem pode perder, e que já a homossexualidade é o pecado que mora ao lado, o desvirtuar decisivo da heterossexualidade...o tal caminho sem volta...ainda que a bissexualidade surja como um condominio fechado onde vive, lado-a-lado, a virtude (a hetero) e o pecado ( a homo)....

O preconceito apenas vive aqui, nestes dois pesos distintos, como se tratam os tais dois estados de sexualidade...só que o que se passa na realidade, é que a homossexualidade é tão frágil e vulnerável como a heteressoxualidade..ela também se pode perder...

Um heterossexual pode ser a vida toda hetero...um homossexual pode ser a vida toda homo...um hetero pode virar homo...um homo pode virar hetero..e no meio disto tudo qualquer um pode ser bi...

...pois cada caso é um caso, cada sentimento é unico e incopiável, cada emoção é distinta de qualquer outra, mesmo que idênticas pareçam...essas são as leis universais da criação, cada segundo é completamente diferente do segundo seguinte, assim como todo o universo de coisas que ele encerra em sim mesmo, é diferente do seguinte, e ambos obviamente infinitos...

Portanto que tal deixar todos esses sentimentos viver com a liberdade com o que precisam, visto que a velocidade das suas ocorrencias tem de ser proporcional à vontade das suas expansões..que se respeite e se aceite a formula normal dos acontecimentos, apenas factos emotivos de se ser humano...ou apenas um humano!

Embora numa sociedade primitiva, do ponto de vista do pensamento sexual, como a nossa, onde ainda é dificil se aceitar o ser apenas um homossexual, quanto mais explicar que um homo até pode virar bi ou mesmo hetero...porque estas estradas afinal têm sempre dois sentidos, e ainda por cima sem traço continuo...


abraços


« Última modificação: 24.Mai.2005, 02:59:17 por HLuso » Registado

Nascer HOMOSSEXUAL num Pais tão homofobico, foi destino!!!....Alguem ainda ha-de cantar este fado...!!!;)
neo_21
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« Resposta #5 em: 24.Mai.2005, 03:12:00 »

Eu acho essa questão de não aceitar rotulos muito interessante, e é um bom lema de vida... mas o que é facto é que eles existem, acredite-se ou não. Como disseram, o ser humano desde sempre teve a necessidade de encaixar coisas em definições, de uma forma mais ou menos eficaz... Mas se não existissem esses rotulos, este tipo de associaçoes acabava por não fazer sentido... para quê uma associação de gays, lesbicas, bissexuais, transgeneros, se todas as pessoas são "simpatizantes"?... ou simplesmente não aceitam rotulo de gay, lesbica, bissexual, tansgenero...

Talvez a resposta... se é que poderá alguma vez ser concreta... seja que, realmente a orientação sexual de uma pessoa poderá nunca chegar a ser definitiva, como disseram; e obviamente que cada um é dono da sua sexualidade...

Mas então porque muitos de nós sentimos necessidade de, aquando o famoso "coming out", dizer a nós proprios que "sim, eu sou gay/lesbica/bissexual qual problema?"? E porque, quando realmente chegamos a esse ponto, nos sentimos bem, por finalmente nos conseguirmos aceitar como somos...

Para quê andar a bater com a cabeça nas paredes (metaforicamente falando Smiley ) durante algum tempo para assumir que realmente somos homossexuais ... quando podiamos apenas concluir "olha eu agora sou gay, mas pode ser que apareça alguem ou alguma coisa que me faça ver as coisas de outra forma"? ...

Não sei, talvez eu seja muito agarrado á terra e não consiga ver para além "desse prisma"... mas acho que é um ponto de vista que se pode aplicar a muito boa gente que por aqui anda...

Cada qual sente o que quer e como quer...será isso então...
« Última modificação: 24.Mai.2005, 04:07:12 por neo_21 » Registado

"...o que merece atenção é o belo, caprichoso e imprevisível percurso de uma folha que cai e não o monótono facto de acabar sempre por cair." (A. Amorim)
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« Resposta #6 em: 24.Mai.2005, 06:06:51 »

Bem...
Sinceramente acho muito dificil eu neste momento apaixonar-me por um homem Tongue Lips Sealed
Eu gosto de mulheres a 100%
Já me aconteceu eu sentir-me bissexual,mas isso foi no principio da minha adolescencia kuando ainda não sabia se gostava de homens ou mulheres,mas assim k me "encontrei" pude finalmente saber o k keria...não ker dizer k desta água não beberei,mas nao me vejo ao lado de um homem de modo algum Tongue a serio k não,em nada 8)
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Psicoboy


« Resposta #7 em: 24.Mai.2005, 10:39:19 »

Olá,
achei pretinente este tópico Smiley

Bem, na realidade, ninguem deixa de ser homossexual e passa a bissexual por opção, pois como sabem a orientação sexual não é de forma alguma opção.
O que acontece nestes casos, sao pessoas que inconscientemente ainda nao se assumiram para elas mesmas, ou estão numa fase de construção de identidade sexual. Esse processo pode ser retardo por alguns factores externos ou internos do sujeito.

"Uma das  questões centrais, vivida por muitos gays e lésbicas é o conflito ou desconforto com sua orientação sexual, a dúvida e o questionamento sobre as suas implicações. É algo que pode ser vivido com sofrimento, pois envolve a auto- imagem do indivíduo e o lidar com as pressões que  enfrenta ou enfrentará para afirmar sua identidade. São crises vividas por indefinição da orientação sexual, por quem teme o que acontecerá com a revelação de sua orientação ou por quem assumiu uma orientação e passa por situações problemáticas por isso.

   Os medos relacionados com a identidade sexual podem estar relacionados com a vulnerabilidade à discriminação, violência, hostilização pelos outros ou o receio de perdas pessoais possíveis (na família, entre amigos, no trabalho, na comunidade religiosa). Além disso, os esteriótipos ou as experiências do cliente a esse respeito podem ser negativos e influenciar a sua situação de crise, como por exemplo percepcionar o estilo de vida homossexual como indesejado ou promíscuo. Para pessoas religiosas (católicos, protestantes, evangélicos, etc) há a  questão religiosa envolvida associado a um grande medo da reacção familiar e/ou da comunidade.

   Muitos gays e lésbicas podem sentir-se culpados em relação à sua identidade ou ter ódio de si mesmo. Existe uma maior complexidade quando o cliente vem de grupos raciais ou étnicos específicos, pois existem variações culturais, como normas, valores e crenças que podem ser importantes fontes de stress psicológico. A idade do cliente também é um factor do qual podem emergir diferentes questões. Mas independentemente do conteúdo da psicoterapia, o posicionamento do psicólogo é sempre de cooperação, respeito e aceitação

Desenvolvimento Identitário nos Jovens e Adolescentes- Poderá ser um processo especialmente difícil e doloroso, para ultrapassar o stress relacionado com a gestão da sua identidade sexual, conflitos com os pares, medo das reacções da família e dos amigos, solidão, doenças sexualmente transmissíveis, o eventual estigma implicado nos contextos sociais, etc."

http://tvtel.pt/psicologia/page6.htm

Abraços a todos  Roll Eyes
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« Resposta #8 em: 24.Mai.2005, 16:45:52 »

Actualmente já se diz que somos todos bissexuais em diferentes graus, e há casos 50/50 que nunca se chegam a definir.
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« Resposta #9 em: 24.Mai.2005, 19:05:51 »

Ninguem opta por ser homossexual, heterossexual ou bissexual, e da mesma forma tambem ninguem opta por deixar de ser qualquer um dos três...as orientações sexuais estão fora do dominio das opções..em qualquer um dos sentidos!

Contudo também o amor está fora dominio das opções sexuais, por exemplo na sitcom "will and Grace", as personagens no fundo amam-se e visivelmente funcionam como um casal, apesar da fronteira fisica das suas orientações sexuais.A verdadeira mensagem que esta série nos passa, é que no fundo o mundo não se divide em heteros, homos e bis...não existe esta divisão fracturante, porque apenas somos todos pessoas...e como pessoas que somos, o que conta é o amor, seja ele de que forma for...

Um dia chegará, que as orientações sexuais, deixarão de ser fronteiras para o que quer que seja..!
« Última modificação: 24.Mai.2005, 19:10:37 por HLuso » Registado

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« Resposta #10 em: 24.Mai.2005, 19:31:14 »



Antes de assumir perante nós a nossa sexualidade, por vezes temos a tendencia a concluir que somos bissexuais, esperando assim sermos em parte melhor aceites pelos outros.

Não quero com isto dizer, que todos passamos pela mesma fase,cada pessoa é diferente e assume a sua sexualidade à sua maneira.

Acho, porem que até pode ser usual acontecer que a nossa sexualidade seja posta em causa, atraves de atrações perante ambos os sexos, acredito que as pessoas amem a pessoa as qualidades desta, e não se é masculino ou feminino.

Não se escolhe a orientação, nem a pessoa que amamos. Nem muito menos o sexo.
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« Resposta #11 em: 24.Mai.2005, 22:17:49 »

Eu tenho uma forma de pensar que n sei se é a mais correcta!

Sou bissexual mas qdo contar aos meus pais irei contar que sou homossexual (dependendo de com quem estarei na altura - neste momeno namoro com um rapaz com o qual tenciono ficar para sempre) pois penso que iriam aceitar melhor o facto de ser homossexual do que bissexual! seria mais confuso
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« Resposta #12 em: 24.Mai.2005, 22:31:35 »

As coisas não são assim tão lineares e os pais são diferentes.
A meu ver há duas formas de ver esta questão, uma das quais foi a que tu mencionaste, ao dizeres que eras homossexual provavelmente seria menos confuso para eles em vez de dizeres que eras bissexual, no entanto imagina que os teus pais como é comum no geral querem ser avós, tu ao afirmares seres homossexual "descartas" logo à partida a possibilidade de seres pai e nessa medida isso pode ser motivo de uma não aceitação à partida  Undecided
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Gosto que me ensinem a ver o que me rodeia com outros olhos, não importa se é bom ou mau, isso eu decido.
Maniuk
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« Resposta #13 em: 24.Mai.2005, 22:47:15 »

Pois! MAs ao dizer aos pais k sou bissexual faz com que eles na aceitem uma relação com um homem!
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« Resposta #14 em: 24.Mai.2005, 22:53:39 »

Pois! MAs ao dizer aos pais k sou bissexual faz com que eles na aceitem uma relação com um homem!

E que tal uns folhetos de esclarecimento? Por vezes ajudam...
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